Como a inovação aberta pode fortalecer o ecossistema de startups?

Como a inovação aberta pode fortalecer o ecossistema de startups?

Por Mariana Yazbéck

Inovar é preciso! Prova disso é que o número de startups que tem a inovação como parte de seu DNA vem aumentando consideravelmente ao longo dos anos. Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), temos hoje 13.478 iniciativas mapeadas por todo o Brasil, em 2011 esse número era de apenas 600.

Com a chegada da pandemia do Covid-19, ficou ainda mais evidente a necessidade de apostar na inovação dentro das empresas. Prova disso é um estudo da agência FleishmanHillard, que apontou que 80% dos entrevistados acreditam que o coronavírus mudará de maneira irrevogável a forma como veem o mundo. Além disso, de acordo com o artigo “Knowing When to Reinvent“, da Harvard Business Review, em média, 80% dos executivos de grandes companhias reconhecem que é preciso se transformar. Ou seja, mais do que nunca, precisamos falar sobre o assunto e conhecer novas formas de trazer mudanças para dentro das organizações, principalmente aquelas que atuam em verticais mais tradicionais.

Neste contexto, é necessário falarmos em inovação aberta. Segundo Henry Chesbrough (2003), esse termo se refere ao uso de entradas e saídas intencionais de conhecimento para acelerar a inovação interna e expandir os mercados pelo uso externo da inovação, respectivamente. Ou seja, esse tipo de metodologia permite a troca de conhecimentos entre empresas em prol da transformação, principalmente no âmbito tecnológico.

Se olharmos para o mercado, podemos ver diversas iniciativas neste sentido e que têm prosperado. Um exemplo disso foi a parceria entre a Cargo Sapiens, startup acelerada pela FIEMG Lab, e a Usiminas, Líder no Mercado de Aços Planos no Brasil, para a otimização do processo de contratação do frete internacional das operações de importação.

Por meio de plataforma própria, a solução da Cargo Sapiens eliminou cerca de quatro meses de trabalho envolvido no processo de licitação de frete internacional (BID) e gerou redução de custo global de 13,48%. A iniciativa trouxe ainda simplificação e agilidade ao processo, além de ter elevado o nível de governança e compliance, se tornando o case de inovação com startup de maior destaque na Usiminas em 2019.

Outra parceria que podemos destacar é a da Termica Tech Solutions, startup Digitalização de Processos Térmicos e a Fiat Chrysler Automobiles (FCA), um dos maiores grupos automotivos do mundo, que teve como objetivo aumentar a produtividade no processo de tratamento térmico das peças do câmbio da FCA. A solução apresentada pela Termica analisa os dados históricos para a identificação de ganhos potenciais. A partir disso, levantou-se um potencial de aumento da produtividade de até 20% em uma linha de tratamento térmico.

Esses são apenas alguns exemplos entre muitos que existem atualmente no mercado e que não só podem, como devem ser replicados. A utilização de soluções criadas por startups permite que muitas organizações incorporem inovações que jamais teriam sido implementadas, por uma série de fatores como falta de tempo, conhecimento ou recursos disponíveis.

Ao mesmo tempo, criar parcerias com essas empresas altamente tecnológicas permite que todo o ecossistema seja fortalecido, ou seja, é uma relação de ganha-ganha, onde todos crescem durante o processo. Por isso, afirmo sem medo que a inovação aberta é um caminho altamente vantajoso e que pode ser utilizado em diversos setores, promovendo transformações positivas e potencializando o crescimento de todos os envolvidos. Aposte nessa ideia!

Mariana Yazbéck, gerente do FIEMG Lab, maior hub de inovação aberta de startups industriais

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