Órgãos da Administração Federal contrataram quase R$ 880 milhões em TI até agosto

Órgãos da Administração Federal contrataram quase R$ 880 milhões em TI até agosto

De janeiro a agosto de 2020, diferentes órgãos da Administração Federal já assinaram mais de 1000 contratos de serviços de Tecnologia da Informação, no valor de R$ 874,6 milhões. Este valor é 25% maior do que os contratos do mesmo período em 2019, que chegou a aproximadamente R$ 702 milhões. Os valores foram levantados pela Effecti, empresa especializada em tecnologia para licitantes com base em contratos públicos divulgados no Portal da Transparência e Diário Oficial da União dos últimos três anos

No comparativo com o mesmo período no último ano, é possível perceber que houve um decréscimo no número de contratos (1.625 em 2019 e  1.011 em 2020), porém alguns contratos com altos valores puxaram o número para cima. A média de valores em  2020  está em R$ 865.140,09, praticamente o dobro do mesmo período em 2019, quando atingiu R$ 432.142,95. Já a mediana dos contratos de 2020 (valor central da distribuição de dados) ficou em R$  43 mil, cerca de R$ 2 mil  acima da mediana verificada em 2019. 

Entre os maiores contratos realizados em 2020, destaca-se um de R$ 82 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional, para serviços de solução de planejamento, gestão, monitoramento e apoio à fiscalização da Operação Carro-Pipa. Em segundo lugar está um contrato fechado pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) com a IBM, de R$ 73 milhões, para cessão de direito de uso e suporte de serviços de nuvem e inteligência artificial, entre outros de produtos.

O Comando da Aeronáutica ocupa o terceiro e quarto lugar no ranking de maiores contratações, com dois contratos para tecnologias envolvidas na manutenção, assistência e suporte dos Sistemas de Tecnologia da Informação Operacional implantados no Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) e Sistema Integrado de Torre de Controle (SITC) que somam R$ 83 milhões.

Somando os valores, os cinco maiores contratantes de TI em 2020 até o mês de agosto são o Comando da Aeronáutica, com contratos que somam R$ 164.548.902,99; seguido do Ministério da Economia (R$ 98.767.146,48); Ministério do Desenvolvimento Regional (R$ 85.239.217,42); Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) R$ 84.880.725,63; e Ministério da Justiça e Segurança Pública (R$ 72.300.620,17).

O CEO da Effecti, Fernando Salla, destaca que a pandemia de coronavírus também teve seu papel nas contratações de TI. Para operacionalizar os benefícios do programa emergencial de manutenção do emprego e renda, o Ministério da Economia realizou com a Dataprev um contrato de R$ 29 milhões, o quinto maior do período analisado. “Ainda é possível verificar entre os 10 maiores contratos outros relacionados à necessidades tecnológicas para processamento de dados para o pagamento do auxílio emergencial”, explica Salla.

Assim como a iniciativa privada, o governo se deparou com situações desde o início da pandemia e precisou acelerar suas transformações digitais. Em declarações  no 1º Fórum Digital de Empreendedorismo, Negócios e Transformação, Luiz Felipe Monteiro, secretário de governo digital do Ministério da Economia, explicou que digitalizar serviços é uma das metas do governo federal. Mais de 58% dos serviços que antes da pandemia eram ofertados pelos órgãos federais somente presencialmente já foram digitalizados, e a previsão é atingir 100% até o fim de 2022. Entre janeiro de 2019 até o início de agosto, 840 serviços foram digitalizados, evitando o equivalente a 65 milhões de atendimentos presenciais no país. 

Também está em andamento um edital do Ministério da Economia para a contratação de 350 profissionais de TI, que segundo o Governo, irão atuar em processos de transformação digital. 

O levantamento realizado pela Effecti considerou contratos públicos divulgados no Portal da Transparência e Diário Oficial da União dos últimos três anos.  A partir dos dados, foi feito um recorte com base na atividade econômica principal das empresas contratadas para determinar se encaixa no setor de tecnologia, considerando serviços de informática e telecomunicações. Alguns contratos e empresas foram retirados da análise por conta das atividades secundárias envolvendo o CNPJ que não se enquadram no objetivo do levantamento. 

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