Quais são as tendências de CX para 2021?

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Por Rogerio Perez, diretor de Customer Success da Zendesk para a América Latina

O surto global da COVID-19 não deixou alternativas para que as equipes de suporte ao cliente de todas as indústrias se adaptassem rapidamente em meio a picos de chamados, cancelamentos de eventos, interrupções de serviços e grandes incertezas. Acredito que nenhuma organização passou facilmente por essa rápida transformação, mas posso dizer que algumas conseguiram se adaptar mais rápido às mudanças nos hábitos de consumo.

No Brasil, mesmo com um crescimento de 53% no número de chamados nos serviços de atendimento entre 23 de fevereiro e 26 de julho de 2020 (acima da média na América Latina, que foi de 42% neste mesmo período), não faltaram soluções digitais focadas em promover e agilizar o diálogo com o consumidor. Houve alta na adoção de ferramentas como mensagens instantâneas, conversas em tempo real, autoatendimento e inteligência artificial. Uma maneira bastante eficaz de suprir a demanda para as equipes de suporte, que também estão trabalhando remotamente.

Algumas dessas práticas adotadas merecem destaque e acredito serem tendências fortes para os próximos meses, como também foi apontado pelo estudo Benchmark Snapshot, que fez um monitoramento semanal do impacto do período da pandemia no relacionamento com o cliente em mais de 23 mil empresas que usam Zendesk ao redor do mundo.

WhatsApp e chat
Mensagens e conversas em tempo real foram recursos adotados pelas companhias mais ágeis para abrir ou ampliar canais de diálogo com os consumidores durante a pandemia. O uso de aplicativos de mensageria, como o WhatsApp, cresceu 216% na região entre 23 de fevereiro e 23 de agosto. Já a utilização do chat e de outros canais de atendimento em tempo real também registraram avanços no mesmo período.

O mais curioso, contudo, é que as mensagens e diálogos em tempo real deverão continuar ganhando ritmo mesmo com a redução dos chamados. Uma tendência lógica, que não só reflete o comportamento dos consumidores na era digital como também sinaliza uma mudança de longo prazo, indo além das necessidades provocadas pela pandemia.

Autoatendimento
Oferecer respostas objetivas para dúvidas recorrentes é o grande objetivo das centrais de ajuda ou das chamadas FAQs (seções com perguntas frequentes). Muitas empresas perceberam o enorme potencial desses recursos para desafogar a área de atendimento – e esse movimento só se intensificou durante a pandemia.

Só para se ter uma ideia, o número de visualizações das centrais de ajuda avançou 200% entre fevereiro e agosto, cinco vezes mais rápido do que o aumento da abertura de chamados no mesmo período. Um bom sinal, já que os números atestam que diversos segmentos, incluindo logística, fitness e delivery de alimentos, estão se saindo bem ao alavancar o autoatendimento.

Embora o distanciamento social tenha ajudado a impulsionar esse movimento, o autoatendimento deve se manter como tendência mesmo depois desse período – assim como as mensagens instantâneas e as conversas em tempo real.

Inteligência artificial
Com o crescimento do autoatendimento, muitos negócios perceberam a oportunidade de utilizar a inteligência artificial (IA), por meio de ferramentas de chatbot, para lidar com o aumento dos volumes de tickets. Entre as empresas ágeis que já usam o Answer Bot, mais da metade aumentou as resoluções com IA em 10% ou mais. Enquanto isso, mais empresas de pequeno e médio porte (PMEs) adicionaram a ferramenta pela primeira vez. Entre as pequenas, o uso do nosso Answer Bot aumentou em 70% desde o início do ano.

Portanto, recorrer à IA está entre as medidas adotadas pelas empresas ágeis para resolver chamados com mais eficiência durante a pandemia. Permite que as equipes de atendimento forneçam aos clientes respostas rápidas e precisas para as perguntas mais simples, enquanto que os agentes se concentram em conversas mais complexas. Você reduz a pressão sobre os agentes e, ao mesmo tempo, mantém a satisfação do cliente. É uma situação em que todos ganham.

Reorganização da equipe
Provavelmente não haverá retorno ao “normal”, e as empresas que priorizam o digital estarão mais bem preparadas para se adaptar. As empresas de melhor desempenho na pesquisa do Benchmark Snapshot estão adotando mudanças ao adicionar novos fluxos de trabalho de atendimento ao cliente. Elas adicionaram 10% mais macros, gatilhos e automações em comparação com outras empresas.

Algo que também teve impacto nos canais de autoatendimento é a produção e a entrega de conteúdos atualizados nas centrais de ajuda. Segundo a pesquisa, uma a cada cinco empresas (20%) deslocaram profissionais para produzirem conteúdos novos durante a pandemia. Uma resposta inteligente à grande demanda gerada pelo crescimento do atendimento a distância.

A crescente adesão aos canais digitais não deixa dúvidas sobre o papel importante que a tecnologia cumpre na área de atendimento. A tendência é que a demanda para o time de suporte continue chegando por chat ou mensagens virtuais – isso quando o desafio não puder ser solucionado por meio da central de ajuda. Muito mais do que uma alternativa temporária em tempos de distanciamento social, esse cenário representa uma solução definitiva, capaz de entregar mais eficiência e agilidade para um consumidor cada vez mais conectado.

A verdade é que as tendências que estamos vendo entre as empresas mais ágeis já estavam começando a surgir antes da pandemia, mas agora estão ocorrendo em um cronograma acelerado. Como resultado, as organizações precisam se adequar rapidamente para permanecerem competitivas.

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