Cresce papel da securitização dos financiamentos imobiliários e do agronegócio

Nas últimas décadas, a securitização passou a ocupar um papel fundamental na alavancagem de recursos para o mercado imobiliário e o agronegócio, dois importantes pilares da economia brasileira. De acordo com a ABSIA – Associação Brasileira de Securitizadoras Imobiliárias e de Agronegócio, que representa as nove maiores empresas do segmento no Brasil, que respondem por mais de 90% do mercado de emissões de CRIs e CRAs, o momento atual é de consolidar este instrumento de financiamento via Mercado de Capitais, trazendo recursos de longo prazo para o investimento na economia real do país. “A ABSIA tem desempenhado um papel fundamental para o desenvolvimento da securitização no Brasil, em especial nas recentes tratativas com a CVM para a criação de um marco regulatório próprio para o setor”, destaca Maurício Visconti, Presidente da ABSIA.

A securitização imobiliária foi criada pela Lei 9.514 de 1997, que entre várias inovações lançou o Certificado de Recebíveis Imobiliários – CRI. Menos de 10 anos depois, a Lei 11.076 de 2004 cria o Certificado de Recebíveis do Agronegócio – CRA e amplia a atuação do negócio de securitização no Brasil. Desde então a atividade das securitizadoras imobiliárias e do agronegócio não parou mais de crescer.

Para ter uma ideia do tamanho deste mercado, apenas nos últimos 10 anos as securitizadoras associadas à ABSIA emitiram R$103 bilhões em CRI, o que corresponde ao financiamento de 454 mil imóveis residenciais e 189 mil lotes, assim como milhares de imóveis comerciais ou lajes corporativas, diversos shoppings centers e mais de 150 hotéis. Esses dados reforçam a importância deste modelo de captação de recursos para os investimentos no setor imobiliário. ” A tendência é que o CRI ganhe mais espaço na capitação de recursos para este segmento, diante da necessidade de novas fontes de investimento para financiar o enorme déficit habitacional do país, bem como a outros segmentos importantes do setor imobiliário que carecem da disponibilidade de linhas de financiamento com recursos de longo prazo. Além disso, os CRIs possuem vantagens tanto para investidores quanto para os empresários do setor imobiliário, que cada vez mais estão se beneficiando deste modelo de captação de recursos”, acrescenta Visconti.

Por outro lado, o CRA também tem ganhado importância para o financiamento do agronegócio brasileiro, setor que responde por 20% do PIB nacional e pela metade de nossas exportações. Em 2018, os CRA já correspondiam por 12% do total de recursos destinados ao financiamento do setor agropecuário brasileiro, sendo que, em apenas quatro anos, de 2014 a 2018, observou-se um aumento expressivo no estoque deste tipo de título, que saltou de R$1 bilhão para R$44,8 bilhões, registrados na bolsa de valores.

“O financiamento do agronegócio no Brasil sempre dependeu quase que inteiramente dos programas de crédito direcionados pelo governo federal. Entretanto, os recursos disponibilizados pelo Plano Safra são insuficientes para garantir que o setor se desenvolva em toda a sua potencialidade. Sendo assim, a tendência é que a participação da iniciativa privada se torne cada vez maior, por meio dos instrumentos do mercado de capitais, na promoção dos recursos financeiros para as atividades agropecuárias brasileiras”, finaliza o Presidente da ABSIA.

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