Dólar alto aumenta competitividade de produtos brasileiros fora do país

Em meio à crise causada com o novo coronavírus, em 2020, o dólar já acumula alta de cerca de 32,6%. Para aqueles que desejam fazer compras do exterior a alta é prejudicial, mas para as empresas que desejam vender produtos para outros países, ou seja, praticar cross border, esses números são muito vantajosos.

Cross border é a prática de vender para fora do país de origem. No contexto de dólar alto, as empresas brasileiras que exportam conseguem vender produtos no exterior a preços menores e alcançar maior competitividade no mercado externo.

Segundo Felipe Dellacqua, Presidente da Associação Brasileira de E-commerce Cross Border, especialista em comércio internacional e sócio da VTEX, nesse período de pandemia, com pessoas viajando menos e comprando menos fisicamente, o consumidor continua desejando produtos que costuma comprar em viagens internacionais. Então, o cross border se torna uma necessidade tangente ao proporcionar que o consumidor compre aquele produto de outro país de forma online.

“Cross border é uma operação de e-commerce de um país para o outro. No ano passado, o brasileiro gastou mais de USD $ 2 bilhões de dólares em compras nos sites internacionais que entregam para o Brasil. Grande parte desse volume vem de lojas virtuais que atuam globalmente com origem na China, Europa e Estados Unidos. Então, para o brasileiro já é comum fazer compras em sites internacionais”, explica Felipe.

De acordo com o especialista, o produto brasileiro tem muita atratividade em grande parte do mundo porque também há muitos consumidores brasileiros vivendo fora do país que continuam querendo consumir produtos brasileiros. “A disparada grande do dólar tornou o real desvalorizado perto de outras moedas fortes. Se eu tenho um produto que vendo aqui a R$ 300 reais, o produto pode ser vendido a 50 dólares nos EUA. Nosso produto ficou mais barato e competitivo lá fora”, diz Felipe.

Um estudo da Accenture apontou que em 2020, 21% das compras online serão por transações cross border. Segundo Felipe, esses números são muito assertivos, pois o dólar dificilmente deve baixar, o que faz com que o Brasil tenha muito potencial para exportar e ser um expoente nesse segmento.

“Outro ponto positivo é que Brasil é país feito para exportadores. Neste ano, vamos bater récorde na agropecuária, com crescimento de 8% mesmo na crise. Quando você trabalha com cross border enviando produto para outro país, há vários incentivos fiscais que quase ninguém tem conhecimento, como a isenção de ICMS e IPI e, consequentemente, cerca de 17% a 20% a mais de margem porque está isento desses impostos”, explica.

Em 2019, Aliexpress se tornou o terceiro e-commerce mais acessado do Brasil atrás apenas do Mercado Livre e Americanas.com. A empresa com sede em Hangzhou, na China, emergiu como uma das principais intermediárias entre fábricas chinesas e a demanda mundial por equipamentos necessários para combater a pandemia, desde máscaras até respiradores artificiais.

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