Greve de entregadores de apps pressionará regulação, avalia economista

A paralisação nacional dos entregadores de aplicativos como iFood, Rappi, Uber Eats, Loggi e James, prevista para 1º de julho, reivindica aumento no pagamento das corridas por quilometragem, distribuição de máscaras e álcool em gel e destinação de um valor das corridas à aquisição de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), entre outras demandas. Batizada de #BrequeDosAPPs, a greve faz parte de um movimento esperado no atual contexto de desenvolvimento tecnológico, segundo economista da Análise Econômica Consultoria.

“Certamente, ainda há muito o que se discutir sobre a atuação das empresas do setor de tecnologia no Brasil e no mundo. A pandemia do Covid-19 apenas acelerou esse processo, por conta da adoção em massa de aplicativos que atendem demandas diversas, além de ferramentas de videoconferência e telemedicina”, afirma Franklin Lacerda, Diretor de Estudos da Análise Econômica Consultoria e mestre em Economia Política pela PUC-SP.

O economista explica que, historicamente, inovações iniciam ondas de desenvolvimento econômico e social, se tornando responsáveis por revoluções tecnológicas. “Contudo, intervalos de reajustes são esperados enquanto etapas decisivas em revoluções desse tipo, e geralmente são marcados por graves recessões. E a pandemia do Covid-19 aprofundou a recessão iniciada em 2008.”

“Observamos relações conturbadas entre instituições, órgãos regulatórios, empreendedores e a própria sociedade, na busca por um caminho sustentável para a retomada do crescimento, desde o início da recessão em 2008. Ações como a paralisação dos entregadores de aplicativos levantam o debate sobre a recomposição de todo o sistema e a plena fruição da revolução tecnológica, alinhada aos parâmetros regulatórios”, explica Franklin.

Embates crescentes

Diversos acontecimentos já figuram a atual onda de reajustes enquanto um importante capítulo no desenvolvimento tecnológico mundial. Um emblemático exemplo é que o Facebook está na mira dos reguladores desde as eleições estadunidenses de 2016 por conta de suspeitas de influência russa nos resultados por meio da plataforma.

“Antes, em 2014, o Brasil foi o primeiro país do mundo a aprovar um Marco Civil da internet. No mesmo ano, o Parlamento Europeu votou a favor da separação de mecanismos de busca de outros serviços comerciais – o que resultou no “nascimento” da holding Alphabet, controladora do Google. E há também histórico de diversos conflitos envolvendo a empresa Uber, indícios de que em tempos de desenvolvimento tecnológico mudanças são constantes e ajustes são necessários”, finaliza o economista Franklin Lacerda.

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