Falta de contato entre gestores e colaboradores durante a pandemia pode revelar ao mercado empresas frágeis em governança corporativa

Em períodos de crise, a transparência nas relações entre sócios, colaboradores e com a própria sociedade tem se mostrado fundamental para manter a sustentabilidade dos negócios. Este desafio, além do financeiro, pode transparecer ao mercado a fragilidade de muitas organizações e limitar as possibilidades de captar recursos além de prejudicar a reputação.

A crise da pandemia tem alertado as empresas a importância de buscar boas práticas para conseguir manter sua estabilidade no mercado. O IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) define a governança corporativa como o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. Os princípios básicos desse sistema, conforme a advogada Ana Rita Petraroli, especializada em governança corporativa, são transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

“Durante essa fase em que o home office se tornou uma necessidade, a falta de contato presencial entre gestores e colaboradores pode ser um desafio para manter uma conduta adequada no gerenciamento da governança. Por outro lado, esse é o momento de demonstrar o preparo da empresa para lidar com crises e transmitir confiança aos investidores e parceiros”, afirma e executiva e sócia-fundadora do escritório Petraroli Advogados.

A advogada destaca que é imprescindível identificar os pontos vulneráveis a fim de possibilitar a criação de procedimentos de gestão e a adequação do planejamento, para ter mais eficiência nas ações. “A elaboração de planos de contingência, por meio de comitês de crise, auxilia na tomada de decisões estratégicas, que tenham como foco a sustentabilidade da empresa e a redução de riscos”.

Ana acredita, que a economia vai se recuperar gradativamente, mas afirma que é preciso estar preparado para essa fase. “É essencial preservar as relações que foram construídas ao longo do tempo, aumentando não apenas a confiabilidade da organização, mas o engajamento de todas as partes envolvidas, incluindo a sociedade. A transparência está diretamente ligada à comunicação, com interação dos executivos, sócios, investidores e colaboradores, estabelecendo um bom canal de relacionamento. É preciso expor claramente a situação da empresa e o que tem sido feito para melhorar, mesmo que pensando nos resultados em médio prazo”, reforça a especialista.

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