Brasil volta ao ranking dos 25 principais destinos de investimento estrangeiro, aponta consultoria global Kearney

O investimento direto estrangeiro deve desacelerar no próximo ano como resultado do COVID-19 e da incerteza em torno do tempo de recuperação das economias globais, de acordo com o 2020 Kearney Foreign Direct Investment (FDI) Confidence Index® (Índice de Confiança para Investimento Direto Estrangeiro 2020), divulgado hoje pela consultoria de gestão estratégica Kearney.

A Kearney estava em campo com a pesquisa quando o COVID-19 começou a se espalhar pelo mundo, com as crises dos mercados começando a surgir, e em um momento em que o mundo entrava em uma enorme tempestade. No início do período de estudo, antes do vírus se espalhar, os líderes de negócios em todo o mundo estavam consideravelmente otimistas em relação à economia global e o futuro dos investimentos diretos. Aparentemente, o COVID-19 seria contido ainda na Ásia. Inclusive, muitos investidores disseram estar mais otimistas em relação ao ano vindouro do que estavam no ano anterior.

No entanto, conforme esses investidores perceberam que estavam “entrando na tempestade” ainda durante as duas últimas semanas da pesquisa, sua confiança diminuiu de maneira previsível em todos os mercados – desenvolvidos, emergentes e os de fronteira, refletindo o rápido surto da pandemia. Entre as duas primeiras e as duas últimas semanas da análise, as notas para cada em todos esses mercados caíram entre 25% e 33%.

A rápida proliferação do vírus representa um ponto de inflexão muito crítico. A pandemia e os choques econômicos que a sucederam mostram como o ambiente operacional externo pode mudar rápida e profundamente. Alguns mercados se recuperarão mais rapidamente do que outros. Isso possivelmente explica o aparente retorno da atenção a mercados grandes e mais estáveis, com estruturas políticas e regulatórias mais previsíveis.

Os mercados desenvolvidos tendem a continuar bem este ano, porque provavelmente demonstrarão força em fatores que os investidores costumam priorizar, como um ambiente de investimentos atraente e uma forte infraestrutura tecnológica.

São justamente esses fatores que explicam a atratividade dos Estados Unidos junto aos investidores – o país aparece na liderança do ranking de confiança dos investidores pelo oitavo ano consecutivo. Os Estados Unidos oferecem tamanho de mercado, infraestrutura e ambiente regulatório amigáveis. Segundo a análise, isso ajuda investidores a manterem a confiança em sua economia. Por outro lado, dizem os especialistas, a crescente polarização sino-americana o índice de confiança nas duas potencias econômicas à medida que os potenciais investidores se preocupem com o impacto negativo que a deterioração desse relacionamento bilateral possa causar.

Brasil
O Brasil, que em 2019 deixou a lista dos top 25 pela primeira vez desde que o ranking começou a ser editado, em 1998, reaparece na relação, agora na 22ª colocação. De acordo com o estudo da Kearney, a confiança dos investidores na América Latina cresceu no último ano. “Como o Brasil está entre as maiores economias da região, cresceu também a confiança no País”, explica Mark Essle, sócio da Kearney no Brasil.

O índice de confiança no Brasil passou de 1,37, em 2018, quando o País ocupou a 25a colocação do ranking, para 1,65 este ano. A maior confiança na economia brasileira também pode ser atribuída parcialmente ao programa de privatização vigente no País desde 2019, que prevê privatizar grandes estatais. Segundo o estudo da Kearney, a privatização de gigantes como Eletrobrás e Telebras, que deve avançar em 2020, também contribui para atrais mais investimento direto estrangeiro.

E, apesar dos impactos negativos do COVID-19, a aprovação da reforma da previdência pode acelerar a economia local e potencialmente economizar US$ 194 bilhões aos cofres públicos na próxima década, o que também chama a atenção de investidores.

Pós-COVID
Alguns mercados podem não atingir seu potencial econômico pré-COVID em um futuro próximo. Os mercados emergentes e fronteiriços sofrerão desproporcionalmente devido a uma confluência de fatores, incluindo infraestrutura médica inadequada, opções fiscais limitadas e níveis mais altos de pobreza em geral.

Apesar das mudanças recentes no sentimento do investidor nas semanas mais ao fim do período em que a pesquisa da Kearney aconteceu, alguns resultados sugerem que os investidores foram pegos de surpresa pelo impacto colossal e a deterioração econômica causados pelo COVID-19. Eles se apegaram a visões existentes antes do início da pandemia. Por exemplo, o otimismo dos investidores em relação às perspectivas para a economia global. Por isso, a maioria das perspectivas econômicas regionais permaneceram estáveis ​​ao longo da pesquisa. De fato, mais de 80% dos investidores esperavam um aumento de seu FDI (Índice de Investimentos Diretos) nos próximos três anos – um número que não mudou significativamente nas seis semanas em que a pesquisa estava em campo.

No geral, os resultados do Índice de Confiança FDI 2020 da Kearney sugerem fortemente que os investidores começaram a perceber que a economia global estava em crise apenas no último momento. “Os investidores parecem só ter percebido as perturbações econômicas iminentes no último segundo, e muitos acabaram pegos de surpresa”, diz Paul A. Laudicina, criador do FDI Confidence Index e chairman do Global Business Policy Council da Kearney. Para Sachin Mehta, sócio da Kearney no Brasil, o índice deve servir de alerta para que os executivos entendam que não podem assumir que o ambiente operacional global permanecerá constante no curto prazo. “É fundamental que se adotem ferramentas estratégicas preditivas e estratégias de planejamento aprimoradas para se proteger de potenciais choques na economia”, diz Mehta.

Mudanças climáticas
Uma área em que os investidores parecem prever importantes mudanças é a do clima – as questões associadas às mudanças climáticas afetam os investimentos diretos estrangeiros de 80% das empresas, segundo o levantamento da Kearney. “O notável nível de conscientização sobre os riscos das mudanças climáticas refletido na pesquisa deste ano sugere que essas questões estão no topo de prioridades dos investidores. No entanto, a preparação para esses riscos exigirá um planejamento cuidadoso e um pensamento estratégico”, diz Erik Peterson, diretor administrativo da Global Conselho de Política Empresarial e co-autor do estudo. Uma grande maioria dos investidores – 60% – antecipa perdas financeiras relacionadas às mudanças climáticas nos próximos três anos. E o impacto ambiental das metas potenciais de IDE é um fator nas decisões de investimento para a esmagadora maioria – 85% – dos investidores.

Destaques regionais
Américas: Os resultados são variados na região. Os Estados Unidos aparecem em primeiro lugar do ranking pelo oitavo ano seguido, enquanto o Canadá sobe para a segunda posição. O Brasil retorna à lista após um ano ausente. Em decorrência do crescimento da pandemia, o otimismo dos investidores com o cenário econômico regional caiu ao longo das seis semanas em que o estudo foi realizado.

Europa: Com 14 mercados, a Europa é novamente a região com o maior número de países no ranking do Índice de Confiança FDI. Portugal, a exemplo do Brasil, volta à lista depois de um ano fora assumindo a 21ª posição. O foco contínuo do investidor nos mercados europeus provavelmente decorre de ambientes reguladores amigáveis, juntamente com forças de trabalho qualificadas, infraestrutura tecnológica avançada e estabilidade econômica. A confiança dos investidores sobre a Europa permaneceu estável durante todo o estudo.

Ásia Pacífico: O número de mercados da Ásia-Pacífico no Índice diminui para sete este ano em relação aos oito em 2019, e apenas três dos países da região estão entre os 10 primeiros: Japão, China e Austrália. A China cai para a 8ª posição, registrando a sua classificação mais baixa na história do índica da Kearney, mas continua sendo o mercado emergente melhor classificado. Primeira região a sofrer as consequências do coronavírus, a Ásia-Pacífico viu a confiança do investidor cair ao longo das seis semanas em que a pesquisa foi realizada.

Oriente Médio e África do Norte: A região do Oriente Médio e África do Norte ganhou representantes no ranking deste ano. Os Emirados Árabes Unidos aparecem em 19º lugar, duas posições acima da ocupada em sua última aparição na lista, em 2017. A dinâmica regional é bastante negativa, no entanto, uma vez que a pandemia do COVID-19 e a queda dos preços do petróleo atingiram fortemente as economias da região após a conclusão da pesquisa com investidores.

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