Como escalar sua startup num mundo pós-Quarentena em 5 etapas

Como escalar sua startup num mundo pós-Quarentena em 5 etapas

Por João Gabriel Chebante

Se tudo ocorrer bem nas próximas semanas, em breve estaremos começando a retomar nossas vidas a uma rotina normal após este período de quarentena que marcará nossa geração. E muita coisa vai mudar, da maneira que lidamos com doenças, sejam elas físicas ou mentais quanto a forma que fazemos negócios e interagimos uns com os outros.

O mundo dos negócios também.

A dinâmica de atuação das empresas mudará de forma muito rápida nos próximos meses e anos em virtude do quanto sofreram durante este período de quarentena e sua suspensão de negócios em boa parte do globo. Acredito que teremos um momento de forte busca por todas as empresas – das grandes corporações aos empreendedores de bairro – por soluções de tecnologia que digitalizem sua atuação, amortizando custos e principalmente dando capilaridade às suas atuações.

Mas… para quem está montando ou escalando sua startup, quais serão os pontos mais interessantes para ter em vista num momento de retomada da economia, independente se ela for rápida ou lenta?

Seguem algumas premissas – resumidas aqui a partir de uma série de eventos online feitos por empresas, fundos de investimentos e outros agentes do ecossistema – que estarão ainda mais em voga a partir de agora para qualquer um que queria ou esteja empreendendo com tecnologia.

1- Cultura como fator crítico de sucesso

Sempre foi fundamental, mas num cenário de crise é aonde uma boa cultura organizacional (branding) faz a diferença frente ao cenário e potenciais concorrentes. Contratar bem, desenvolver fortes premissas e garantir em todos os pontos de contato é fundamental para criar valor ao mercad.

2- Mais do que nunca, caixa é rei

Tem quem critique, mas o fato é que empresas podem até sobreviver sem lucro – revertido para investimentos e expansão das suas atividades, mas ninguém vive sem geração de caixa. E dificilmente projetos irão sobreviver no ecossistema sem esta premissa. O escopo do Venture Capital será ainda mais criterioso e racional (veremos abaixo), logo projetos que não apresentam geração de caixa positivo a médio prazo não terão futuro.

3- Vendas, Vendas e Vendas

Uma vez que as startups precisarão ficar de olho no caixa, o desenvolvimento dos seus produtos, serviços e o respectivo ganho de escala será muito importante para a sobrevivência. A tendência é que o processo de venda seja ainda mais técnico e numerológico, aonde o growth hacking será a premissa inicial de valor que todos aqueles que lidam com clientes terão de levar aos seus projetos.

4- Investimento? Terá. Bastante. Mas o jogo mudou.

Uma indústria que mudará bastante o seu escopo e forma de atuar será a de investimento, fundamentada no Venture Capital. Startups crescendo mais devagar significa menor crescimento e rentabilidade para seus investidores, o que pode comprometer a captação de recursos para rodadas entre a validação do protótipo/MVP e o início do ganho de escala. No entanto e a partir da premissa que teremos um mundo de juros reais negativos e excesso de liquidez, a partir do 2o semestre teremos um forte apetite por parte de investidores-anjo e fundos late stage, que aportam em projetos mais avançados.

5- Considere um show com início, meio e final (cedo).

Como conseqüência do item anterior, a lacuna intermediária do investimento em startups virá, a partir de 2021, de fundos de venture capital pertencentes a empresas. Um dos principais “legados” da atual crise é que grandes corporações darão ainda mais marcha à busca de produtos e serviços que dêem agilidade, competitivade ou acesso a mercados. E é exatamente aqui que novos modelos de negócios podem aparecer tanto para investimento quanto uma potencial aquisição nos seus primeiros anos de vida.

Teremos na volta às ruas uma dinâmica mais racional e comedida do que vimos no final de 2019, que já causava questionamentos sobre uma potencial bolha no mercado de startups.

Bolhas e crises sempre existem, mas elas tem o potencial de mudar as peças do tabuleiro da economia e suas forças. O quão importante foi a integração tecnológica para as semanas de quarentena – esteja você em casa, na empresa e/ou no front – vai ser o pilar para uma nova etapa no desenvolvimento de novos negócios com base tecnológica.

Talvez a melhor etapa em tempos. Basta aproveitar!

João Gabriel Chebante, fundador da Sucellos, responsável por levar inteligência aos processos de investimento, fusão e aquisição de empresas

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