Em época de COVID-19, o que podemos aprender com a China sobre colaboração entre homem & tecnologia e o que isso tem a ver com sua carreira?

Por Nora Mirazon Machado

De certa maneira, a crise que estamos vivendo em função do novo coronavírus nos permite vislumbrar o que até agora estávamos chamando de “futuro do trabalho”, sem nos atentarmos corretamente ao quão prontas, disponíveis e acessíveis estão algumas iniciativas homem-máquina à serviço da sociedade.

A protagonista aqui é a China, que, depois de alavancar a tecnologia com maestria para construir dois hospitais em menos de dez dias com transmissão em tempo real do progresso da obra, está expandindo seis iniciativas de alta tecnologia que nos permitem não só ver, como também experimentar o tal “futuro do trabalho” no qual homens e máquinas trabalham lado a lado em busca de agilidade, produtividade e proteção ao homem.

Esta crise, por mais assustadora e problemática que seja, está nos permitindo ver homens e máquinas trabalhando lado a lado a serviço das necessidades humanas, com atividades complementares. Como bem disse o CEO do Alibaba, Daniel Zhang, “o novo corona vírus também oferece às pessoas a chance de experimentar uma nova maneira de viver e trabalhar.”

Estamos vendo o homem se superando, aprimorando e usando e a tecnologia para combater a propagação de um vírus. Genialidades como a construção dos dois hospitais estão acontecendo, e acabam trazendo o dito futuro para o presente. Uma prova de que a tecnologia não precisa necessariamente roubar postos de trabalho, mas que ela demanda profissionais que tenham sensibilidade para captar necessidades, visão do que pode ser criado, e também que saibam desafiar as máquinas inteligentes a fazer coisas nunca antes feitas, que saibam programá-las, dirigi-las e operá-las.

Veja abaixo quais são as iniciativas de alta tecnologia que vêm sendo utilizadas atualmente na China e que servem de exemplo de como será o “futuro do trabalho”

1. Consultas Online

Nesta época de crise, as consultas on-line cresceram exponencialmente na China com médicos se aliando à tecnologia da Inteligência Artificial em plataformas de serviços online para oferecer diagnóstico remoto e assim atender à população com sintomas do novo coronavírus. Desta forma eles conseguiram evitar visitas desnecessárias a hospitais, locais que, além de aumentarem o risco de infecção, estão sobrecarregados.

Análises feitas com IA são capazes de detectar a infecção pelo vírus com uma taxa de precisão de 96% em processos de reconhecimento em 20 segundos. Como ter mais produtividade, agilidade e segurança do que isso?

2. Robôs autônomos

Os robôs autônomos, que, como o próprio nome já diz, são operados remotamente, são os responsáveis por serviços de entrega sem contato para distribuição de medicamentos, suprimentos, bebidas e alimentos como legumes, verduras e frutas frescas para pessoas infectadas. Ou por levar dispensadores de álcool gel pelos corredores dos shoppings. É a chamada “distribuição de contato zero”, que está atendendo de shoppings a hospitais em comunidades em quarentena — tudo sem nenhum risco ao homem.

3. Drones

Desde o começo da crise, os drones estão minimizando o risco de infecção secundária, sendo usados para medir a temperatura de pessoas infectadas – e/ou com risco de infecção – compartilhar informações, entregar medicamentos, desinfetar áreas remotas, transportar amostras, etc. Sempre operados remotamente pelo homem e sem nenhum tipo de toque humano durante as operações.

4. Trabalho remoto

Quando as empresas restringiram a ida de seus funcionários aos escritórios, plataformas de comunicação e colaboração totalmente digitalizadas passaram a ser usadas como rede de informações e comunicação em tempo real para o trabalho, conferências de vídeo e voz, além de funcionalidades de escritório variadas. Uma prova de eficiência que a máquina e homem trabalham lado a lado para manter a produtividade mesmo em situações em que todos os colaboradores passam a trabalhar remotamente.

5. Varejo automatizado

Além do e-commerce, que na China já tem índices de adoção muito superiores aos vistos em outras partes do mundo, a crise expandiu não só a oferta como a adoção de supermercados de autoatendimento e de postos de gasolina que colocam as compras feitas em suas lojas de conveniência diretamente no porta-malas do carro sem nenhum tipo de contato humano, sem nem mesmo os consumidores terem que sair de seus carros ou abrir janelas. Novamente homem e máquina trabalhando juntos pelo bem comum.

6. Ensino à distância

A necessidade promoveu a volta ao “ensino em casa” como regra, que por sua vez provocou um crescimento sem precedentes das plataformas de educação online com professores chegando aos alunos usando toda a tecnologia de plataformas de transmissão. Inúmeras empresas de educação à distância estão compartilhando cursos online gratuitos, o que não só é uma prova de compaixão e civilização, como também ajudará, como prova irrefutável no futuro, a mostrar quão eficiente o sistema EAD pode ser. Essa experiência eventualmente passará a ser usada como referência para mitigar as restrições naturais ao EAD, para uma vez superada a crise, fazê-la virar uma nova prática.

Agora é hora de refletir

O novo coronavírus está mudando o mundo do jeito que o conhecemos: a forma de trabalhar, a forma de nos entretermos, nos comunicarmos, consumirmos. Quais são as implicações para seu trabalho, provocadas pelo avanço significativo e aceleradíssimo da tecnologia? Se o futuro que imaginávamos só para daqui a um tempo já está aqui como nosso presente, o que você deve fazer hoje por sua carreira para se preparar e ter um melhor amanhã?

Boa reflexão!

Nora Mirazon Machado, Administradora de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em marketing pela FGV e especializada em liderança pela Harvard Business School. Tem 25 anos de experiência como executiva de Marketing e atuou em empresas renomadas como Pepsico, Adams e Danone. Após deixar o mercado corporativo, decidiu dedicar sua experiência para orientar profissionais na gestão mais consciente e estratégica de suas carreiras. Empreendeu, fundando, com as sócias Silvia Berger e Mônica Camargo Tracanella, a Trilogie, empresa de Branding e Carreira.

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