Da retomada econômica à consagração do atacarejo: o que 2020 reserva para o mercado atacadista distribuidor?

Por Rafael Martins

O ano de 2019 não foi fácil em termos econômicos, mas plantou avanços que serão colhidos em 2020. A aprovação da reforma da Previdência trouxe melhores perspectivas para as contas públicas nos próximos anos, assim como a inflação, que se manteve em níveis mais comportados. Além disso, a taxa de juros encerrou o ano passado em 4,5%, um patamar inimaginável quando comparado aos últimos quatros anos de retração.

Se sofremos ano passado, neste as perspectivas são mais otimistas. As projeções econômicas, divulgadas nos últimos meses, apontam uma recuperação financeira do Brasil. A previsão para 2020 é que o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, tenha uma expansão de 2,4% ante a previsão de 2,28%, de acordo com o Boletim Macro Fiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia.

Diante desses cenários e, principalmente com a redução da taxa de juros (Selic), é possível constatar que o Brasil está (e estará) em um período de ondas favoráveis para investimentos, em especial estrangeiros. Neste ano, muitas empresas internacionais vão olhar para nós com viés estratégico, ainda mais depois da adesão do País ao Acordo de Compras Públicas da OMC (Organização Mundial do Comércio), que permite que companhias internacionais participem de licitações e de concorrências públicas em território brasileiro.

Neste contexto positivo, os setores de serviços, comércios e construção civil serão os maiores beneficiados pela retomada econômica. Dentro do segmento atacadista distribuidor, o mercado mercearil e o vertiginoso crescimento do atacarejo vão continuar a aquecer e a impulsionar o setor neste ano. Isso pode ser explicado por conta da grande possibilidade da também retomada de consumo do brasileiro.

Desta forma, a compra frequente de produtos de uso comum das famílias – como alimentos, bebidas, limpeza, higiene e cuidados pessoais que, diferente dos supermercados, tiveram forte ampliação em 2019 e vão voltar a fazer parte da vida do consumidor nacional.

Já o braço de atacarejo, viverá um ano dourado, marcado por sua ascensão pós crise, período em que ganhou fama e espaço na vida de muitas famílias, quando estas começaram a optar por compras de abastecimento neste tipo de estabelecimento como forma de economizar mais. Para entender esse fenômeno, vale dizer que, somente em 2018, 60% dos consumidores brasileiros visitaram lojas deste tipo, sendo o segmento mais frequentado no Brasil naquele ano. E esse indicador tem tudo para aumentar em 2020.

Em meio a todo este cenário otimista de crescimento, a evolução do varejo, embarcada a partir do uso de tecnologias que facilitam a compra e a venda de produtos, ditará novas estratégias das empresas com negócios no ramo atacadista distribuidor.

Esse movimento de disrupção vai exigir que o setor tenha cada vez mais astúcia e intimidade com conceitos de Transformação Digital, como machine learning, chatbots e, principalmente, automação nos processos nos logísticos. Tudo para cadenciar os passos de um Brasil retornado das cinzas, tal qual uma fênix.

Um desafio e tanto frente a um ano que carrega tantas expectativas positivas.

Vamos com tudo!

Rafael Martins, CEO do Grupo Máxima, líder em soluções de força de vendas, trade marketing e logística para a cadeia de abastecimento.

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