Os riscos do crescimento desordenado no e-commerce

Por Carlos Guimar

Cada vez mais, o e-commerce quebra a barreira da desconfiança para os brasileiros, tornando-se um dos principais meios de compra na vida dos consumidores e das empresas.

Entretanto, na medida que o comércio virtual ganha espaço na população do consumidor, as vulnerabilidades na segurança surgem na vida de quem administra este tipo de comércio. Com verdadeiros ecossistemas comerciais e logísticos montados para atingir mais vendas e mais entregas, os e-commerces focam seus esforços em estratégias agressivas de preços para venderem mais e no aumento das estruturas dos centros de distribuição, abrindo dutos específicos para escoar as mercadorias. Afinal, a velocidade é fator decisivo e diferenciado para o cliente.

Olhar para estes critérios não é errado. O erro está em tirar da lista outros itens igualmente importantes, como a segurança nas etapas da cadeia logística. O desequilíbrio interno afeta diretamente a relação com o cliente.

O que se observa na maior parte dos casos é um crescimento desordenado, que coloca em segundo plano as atividades de segurança patrimonial e que previnem as perdas. Isso porque existe a falsa sensação de profissionais de logística de que suas aplicações trarão travas ou bloqueios ou que irão prejudicar o atingimento das metas estabelecidas. Ainda existem ideias, ou mesmo uma desculpa equivocada, de que uma boa apólice de seguro é capaz de suprir estas perdas do negócio. Vale dizer que seguradoras podem até trazer o retorno total ou parcial da perda financeira, todavia não fazem o cliente receber o seu pedido.

Cada venda realizada e sua remessa gerada é uma conquista seguida de um grande esforço para chegar às mãos do comprador. Esta remessa não entregue tem um prejuízo muito maior do que a perda financeira. Tem a perda do crédito da imagem, da marca do negócio. Reputação!

De acordo com algumas experiências obtidas nestes últimos anos, os fatores que devem ser considerados e tratados com efetividade são o de transporte, onde seus vários modais devem ser desenhados de acordo com a necessidade específica da empresa e ter todos os seus riscos externos tratados com o diferencial de tornar o negócio mais produtivo. Pode acreditar: isso é possível.

Os centros de distribuição em seus diversos formatos, modelos, tamanhos, pontos estratégicos de paradas para redirecionamento da carga e demais oportunidades devem imprimir agilidade na gestão estratégica, nos processos dinâmicos, na segurança física forte e direcionada. Em uma realidade marcada por estoques robustos, contendo produtos na casa de bilhões, deixar estas áreas mais seguras dificulta a possibilidade de perdas e extravios.

Vale lembrar que o processo de avançar a carga deixando estoques plenos ficando bem próximo do consumidor final, torna o tempo de entrega um grande atrativo para a venda, aqui se vale da velocidade e a possibilidade de menor frete onde se tem margem financeira de ganho ou negociação; deve se lembrar que segurança com agilidade aqui também se aplica.

Nesta linha de prevenção, existe uma parcela de milhões de reais que são perdidas e que devem ser consideradas como grande oportunidade dentro das empresas. Algo com números na casa de 60 milhões de consumidores, representando quase 30% da população brasileira, com a marca de mais ou menos 150 milhões de pedidos. Como dito anteriormente, o crescimento necessita de cuidados por quem quer estar à frente e fidelizar quem está comprando hoje e conquistar com assertividade quem está chegando.

Carlos Guimar, especialista em segurança pública e privada e diretor associado de segurança empresarial na ICTS Security, consultoria e gerenciamento de operações em segurança, de origem israelense.

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