Fundada por brasileiros, Wildlife Studios é avaliada em US$ 1.3 bi e alcança patamar de unicórnio

Criada pelos irmãos Victor e Arthur Lazarte com investimento total até hoje de apenas US$ 100, a empresa de jogos mobile Wildlife Studios acaba de se juntar ao seleto grupo de unicórnios globais. A empresa foi avaliada em US$ 1,3 bilhão após rodada de investimentos liderada pelo fundo norte-americano Benchmark Capital.

A Wildlife nasceu em 2011, na casa dos pais dos empreendedores, em São Paulo. Os irmãos enxergaram no avanço dos smartphones a oportunidade de combinar o sonho de desenvolver jogos com o potencial de distribuição do então incipiente mercado mobile. A aposta dos jovens engenheiros estava certa: hoje os jogos mobile já respondem por mais de 50% de toda a indústria de video games, movimentando quase US$ 70 bilhões por ano e crescendo 26% a.a..

Formados em engenharia pela USP, Arthur e Victor têm duplo diploma pela École Polytechnique e École Centrale de Paris, respectivamente. Antes de empreender, Arthur trabalhou no Boston Consulting Group e Victor no JP Morgan, em Londres.

“A Wildlife sempre foi uma empresa que gerou caixa para financiar o próprio crescimento. A motivação para essa rodada de investimento foi construir uma parceria estratégica com o Benchmark, que já viu e ajudou outras empresas de tecnologia a desenhar e implementar suas estratégias de crescimento. De fato, poderíamos ter levantado capital com outros fundos em valuations maiores. A escolha pelo Benchmark foi principalmente baseada no track record e no nosso alinhamento com os sócios. O Benchmark é o fundo com maior retorno na indústria de venture capital, e empresas investidas crescem em média 10 vezes após o aporte inicial”, conta o co-fundador da Wildlife, Victor Lazarte, hoje com 33 anos de idade.

Já fizeram parte do portfólio do Benchmark empresas como Twitter, Ebay, Instagram, Riot Games, Dropbox, Yelp e Snapchat. O fundo foi também um dos primeiros investidores do Uber, no qual o investimento inicial de $9M no Series A valia $6.9B no momento do IPO do Uber. Peter Fenton, sócio do Benchmark que liderou o investimento, é o segundo colocado na famosa “Midas List”, o ranking mundial dos maiores investidores de tecnologia do mundo, elaborado e publicado anualmente pela Forbes.

“A Wildlife Studios está bem posicionada para conseguir uma fatia ainda maior do mercado de gaming mobile”, afirmou Fenton. O time é incrível e eles tem a ambição e a criatividade para capturarem uma base global de usuários”. A empolgação de Peter é refletida tanto no tamanho do investimento (maior valuation de entrada na história do Benchmark) quanto no nível de engajamento do investidor com o negócio (Peter passa a integrar o conselho da Wildlife a partir do fechamento do negócio).

Além do Benchmark, participaram da rodada também outros cinco investidores: Javier Olivan, executivo do Facebook; Ric Elias, co-founder e CEO da Red Ventures, Micky Malka, sócio da Ribbit Capital; Divesh Makan, sócio do ICONIQ Capital; e Hugo Barra, VP de VR do Facebook, amigo e mentor de longa data da companhia. Antes da rodada atual, a companhia contava com apenas um investidor externo, a Bessemer Venture Partners, investidora do LinkedIn, Skype, Twitch, Yelp, Pinterest e Shopify.

Com o aporte, a companhia tem planos de acelerar as contratações de talentos, investir ainda mais em melhorar a qualidade dos jogos além de auxiliar outros desenvolvedores a levar seus jogos para mercado.

“Iniciamos uma nova etapa no nosso ciclo de crescimento, que nos deixa mais próximos da nossa missão de divertir bilhões de pessoas ao redor do mundo. Queremos entregar a melhor experiência aos nossos jogadores, por isso, continuaremos focados em unir profissionais de referência, com ampla experiência internacional, a jovens talentos nos mercados onde atuamos. Queremos que a Wildlife seja a empresa onde os melhores talentos vêm e fazem o melhor trabalho das suas vidas, desenvolvendo e distribuindo jogos que marcarão uma geração de jogadores”, diz o co-fundador da Wildlife, Arthur Lazarte, de 35 anos de idade.

A Wildlife deve atingir até o final de 2019 a marca de mais de 2 bilhões de downloads. A companhia cresce em média 80% ao ano nos últimos seis anos. Discreta, a empresa é mais conhecida pelo sucesso dos seus jogos, que estão entre os mais baixados do mundo, como o Sniper 3D, 7º jogo mais baixado no mundo em 2018, e mais recentemente o Tennis Clash, lançado em 2019. Com uma temática e uma jogabilidade inéditas para mobile, o Tennis Clash já registra mais de 300 mil downloads por dia e é atualmente top 10 em mais de 100 países, estando no topo do ranking em mais de 40.

A empresa conta com escritórios ao redor do mundo: Buenos Aires, Dublin, São Paulo, São Francisco, Orange County e Palo Alto. Alguns dos marcos recentes em termos de atração de talentos foram as contratações do diretor de arte do estúdio da Riot Games, responsável pela criação do jogo League of Legends (LoL) e do VP de Engenharia que dirigiu o estúdio de games da Sony em Londres. Para liderar a expansão do time de desenvolvimento na Argentina, foram contratados o ex-VP de Engenharia do Mercado Libre e o ex-Head of People da OLX. “Estamos em um negócio em que a competição é global, por isso é importante trazer e reter os melhores talentos do mundo. Esperamos aumentar o nosso quadro de funcionários de 500 para 800 no próximo ano, em todas as geografias e disciplinas”, aponta Victor Lazarte.

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