O Brasil está comprometido com a 4ª Revolução Industrial?

[C]MARCOS PERON

Por Werter Padilha , coordenador do Comitê de IoT da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software)

A 4ª Revolução Industrial está em curso no mundo. E acredito que para as empresas brasileiras do setor não existe opção: é primordial investir na modernização da gestão, dos processos produtivos, da logística, do supply chain, dos recursos humanos e, se precisar, agregar mais eficiência até no procedimento de servir o cafezinho.

Já faz mais de 10 anos que países como Alemanha, Estados Unidos e China investem em tecnologias para avanços no setor industrial. Enquanto isso, no Brasil, recebemos a notícia de que a indústria brasileira pode deixar o ranking das dez maiores do mundo devido à crise econômica, retração de mercados na América Latina e aos problemas estruturais de competitividade, produtividade e inovação – ainda seguimos com um parque produtivo envelhecido, com linhas fabris e padrões que caracterizam a ultrapassada 2ª Revolução Industrial, conforme podemos analisar com base nos dados publicados nesse site pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A participação do setor de transformação industrial no PIB já foi 21,6%, em meados da década de 80, e atualmente gira em torno de 11%. O Brasil registra queda também na produtividade da indústria nos últimos 10 anos.

A principal pergunta então é: como superar os limites impostos pelas questões financeiras e tributárias, assim como pelas pequenas taxas de crescimento industrial dos últimos anos e a falta de confiança do empresário, para promover a reversão deste cenário marcado pela desindustrialização?

O Plano Nacional de IoT (IoT.br), que tem a Indústria como uma das verticais prioritárias, veio para alavancar a inovação na direção da Indústria 4.0, beneficiando pequenas, médias e grandes empresas, e responder à questão acima. Também de olho nesta necessidade de priorização do setor, a Câmara da Indústria 4.0 foi a primeira câmara multisetorial criada em função do IoT.br, coordenada pela Ministério da Economia e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) e com participação de empresas, academia e entidades, como a ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software).

Desde que foi instituída, em maio deste ano, seus membros trabalham intensamente e esta Câmara divulgou, em setembro, a primeira proposta de um Plano de Ação a ser implementado entre 2019 e 2022, que “objetiva ser um instrumento indutor do uso de conceitos e práticas relacionados à Indústria 4.0, visando o aumento da competitividade e produtividade das empresas brasileiras, contribuindo para inserção do Brasil nas cadeias globais de valores e, consequentemente, melhorando sua posição em índices globais de competitividade”.

Outro ponto a ser destacado nesse sentido é o avanço do projeto de lei que isenta os dispositivos de IoT de vários tributos (Fistel, CFRP e Condecine) no Congresso Nacional, desonerando o preço final dos equipamentos e contribuindo para a democratização do acesso às novas tecnologias, já que IoT é uma das tecnologias indutoras da inovação e da produtividade, junto com Manufatura Aditiva (3D), Inteligência Artificial, Robótica, entre outras.

Em meu dia a dia, tenho me empenhado em falar sobre os instrumentos disponibilizados pelos órgãos de fomento à inovação, que beneficiam a indústria, tais como FINEP, BNDES, Sebrae, EMBRAPII, SENAI e CNPq, entre outros. São linhas de financiamento ofertadas aos empreendedores interessados em inserir as suas empresas no ambiente disruptivo da manufatura avançada, com condições mais atrativas que nos bancos comerciais e, inclusive, com fundos não-reembolsáveis, em função do desenho do projeto.

A mais recente delas é a FINEP INOVACRED 4.0 , que conta com medidas para agilizar a liberação dos recursos e que disponibilizará R$ 200 milhões na modalidade de crédito, visando apoiar a formulação e implementação de planos estratégicos de transformação digital que abarquem a utilização, em linhas de produção, de serviços de implantação de tecnologias, tais como IoT, big data, computação em nuvem, segurança digital, robótica avançada, manufatura digital e aditiva, inteligência artificial e digitalização.

Mesmo um setor industrial moderno, como o da Indústria Automotiva, para o qual presto serviços há muitos anos e onde tive a satisfação de conduzir, recentemente, um projeto pionei r o de IoT na gestão de estoques, tem muito caminho a percorrer na transformação digital. Nesse sentido, o Brasil conta com um programa do Governo Federal, Rota 2030 – Mobilidade e Logística , cujo objetivo principal é ampliar a inserção global da indústria automotiva brasileira por meio da exportação de veículos e autopeças, que também conta com linhas específicas de financiamento à inovação, como as da Finep e da Embrapii, que conta a linha específica EMPRAPII Rota 2030.

Há poucas semanas estive em uma missão da Amcham em Israel e chamou a minha atenção a capacidade que os israelenses têm de fazer acontecer, sem medo das falhas e possíveis fracassos. Acredito que esta cultura também possa ser estabelecida no Brasil para acelerar nossa transição para a Indústria 4.0, pois o cenário geral é bastante desafiador.

Pelas ações em prol da Indústria 4.0 no mercado brasileiro que listei aqui (poderia citar muitas outras), acredito que o Brasil está comprometido na concretização da 4ª Revolução Industrial, a fim de retomar a representatividade do setor em relação ao PIB, sustentar a posição do País no cenário internacional, ampliar a produtividade e aumentar a geração de empregos qualificados. Recentemente, ouvi uma declaração que endosso aqui: o investimento na Indústria 4.0 não é caro e nem barato. Este investimento é necessário e urgente.

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