Veja como diminuir o impacto das tarifas bancárias no seu bolso

Uma das piores sensações na administração do orçamento é ver o dinheiro “evaporar” da conta e não saber direito quais foram as origens dos gastos. Se a falha de monitoramento ocorre justamente no primeiro lugar por onde o seu dinheiro passa, é provável que você tenha dificuldade de calcular o que está acontecendo com parte dos seus rendimentos.

Uma pesquisa do Ibope Inteligência encomendada pelo banco C6 indica pouco menos da metade dos entrevistados (49%) sabe responder com precisão o quanto pagam em tarifas em cada modalidade de conta bancária.

Outro dado da pesquisa que pode sinalizar o motivo desse desconhecimento é o número de contas abertas. O brasileiro bancarizado possui, em média, 3,7 contas abertas, de modo que a poupança é a mais popular, com 79% de adesão, seguida pela conta corrente, com 78%. Na profusão dos números de um mês para outro, o usuário não consegue colocar na ponta do lápis as tarifas incidentes em cada uma.

Por que as tarifas bancárias existem?

As tarifas bancárias são valores cobrados pelas instituições bancárias para prover serviços financeiros aos clientes. Transferências, extratos, emissão de cheques e tarifas de manutenção no geral são os serviços embutidos quando você fecha um pacote de conta com o banco.

Se você já estava ciente dos valores da sua conta ou ficou ciente agora, pode decidir negociar um pacote mais oportuno com seu banco ou entender melhor a dinâmica de tarifas na sua conta. Se as cobranças da sua instituição continuarem comprometendo mais do que você previa, dialogue com a instituição financeira e, caso não fique satisfeito, movimente seu dinheiro em outro lugar.

Com o crescimento das fintechs, ficou muito mais fácil evitar o pagamento de taxas como manutenção de conta e transferências como DOC e TED, além da possibilidade de linhas de empréstimo online com tarifas mais baixas que as praticadas pelo mercado financeiro tradicional.

Passe uma lupa na sua conta

Um primeiro passo para evitar sustos é gerenciar suas finanças com mais atenção e mapear qual é o “ralo” que está sugando o seu dinheiro. A partir daí, você poderá tomar medidas para que isso pare de acontecer, ou pelo menos minimizar os valores. Por isso, é fundamental compreender quanto do seu dinheiro fica retido para o pagamento de taxas bancárias.

Você sabia que entre 2017 e 2019, alguns pacotes tiveram acréscimo de até 50%? É o que mostrou uma pesquisa do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), que comparou valores cobrados pelos cinco maiores bancos do País. O estudo analisou 70 pacotes de serviços e mostrou que a média de reajuste foi de 14%, o que representa quase o dobro da inflação no período (7,45%). Um dos pacotes avaliados apresentou alta muito acima da média: 50%.

Esse desconhecimento acontece porque, muitas vezes, as taxas são informadas em pequenos rodapés ao término do contrato, de maneira que o consumidor costuma ter dificuldade de visualizar com clareza o que vai pagar pela manutenção daquela aplicação.

Neste contexto, a conta bancária precisa ser uma aliada para administrar o seu dinheiro, e não uma vilã do seu orçamento.

Pagando menos taxas

Tudo começa na assinatura de contrato da conta corrente. Aquela documentação repassada pelo gerente vai determinar as tarifas incidentes nos pacotes da sua conta, por isso, é importante ler todas as cláusulas do contrato. Após a assinatura, você passa a ter ciência das tarifas praticadas no pacote da sua conta.

Não é raro encontrar taxas mensais que ultrapassam 30 reais, por exemplo. Em um ano, esse valor pode chegar a quase 400 reais.

Para quem já criou esse hábito, o ideal é manter o monitoramento para verificar se a cobrança está dentro do que foi previsto inicialmente no contrato da conta. Se você perceber a cobrança de valores indevidos, comunique o gerente da sua conta e conteste a cobrança.

Contas sem tarifas

Agora que você já está por dentro de como pagar menos taxas bancárias, o que acha de aumentar seu orçamento mensal excluindo esse custo?

A maior parte dos bancos brasileiros não costuma fazer muita propaganda, mas eles oferecem algumas opções para correntistas que não querem pagar tarifas por diversos serviços que não utilizam. Em 2010, o Banco Central regulamentou as contas digitais, isentas de tarifas desde que o consumidor concorde em realizar todas as transações por terminais do banco, sejam eles pelo site, celular ou via chat.

A conta digital é uma modalidade que pode ser aberta rapidamente por um dispositivo eletrônico e se destaca por oferecer diversos serviços ilimitados e, o melhor, sem cobrar por taxas de manutenção.

Além da praticidade de resolver tudo diretamente por dispositivos digitais, a conta pode custar até metade do preço das tradicionais, segundo levantamento feito pelo professor Joelson Sampaio, coordenador do curso de economia da Fundação Getúlio Vargas. O estudo indica que, em média, o consumidor de contas tradicionais paga 180 reais por ano para manter a conta ativa, isso sem incluir tarifas cobradas quando se ultrapassa a lista do pacote escolhido inicialmente.

Já as contas digitais não cobram tarifas de manutenção, mas possuem um limite menor para transações gratuitas. Segundo o estudo, a média é de dois saques e duas transferências por mês e, quando excedida é ultrapassada, o cliente paga em torno de R$ 6 em saques adicionais e R$ 3 no caso de DOCs e TEDs excedentes.

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