Boa empresa, mau investimento

Por Tiago Reis, da casa de análise financeira Suno Research

Recentemente, um de meus investidores favoritos, Mohnish Pabrai, palestrou na Califórnia para alunos da Guanghua School of Management, da Peking University, sobre sua filosofia de vida. Dentre vários ensinamentos que ele transmitiu, um me chamou a atenção: uma empresa excelente pode sim se mostrar um investimento ruim. Mas por quê?

Empresas excelentes geralmente apresentam vantagens competitivas, receitas e lucros crescentes e estáveis, margens elevadas e uma série de fatores que as colocam nesta posição. Com tantas qualidades, essas acabam por atrair grande atenção dos investidores. Com analistas constantemente “de olho”, frequentemente, elas são precificadas de acordo com sua qualidade e por consequência, negociadas com múltiplos elevadíssimos, muito superiores à média do mercado.

Há quem defenda que o preço não importa, mas grande parte dos que batem nessa tecla pouco sabem sobre investimentos. Na última reunião anual dos acionistas da Berkshire Hathaway, Buffett disse que “você sempre pode transformar um bom investimento em um mau negócio ao pagar caro demais”.

Para explicar esse ponto, Pabrai lança o exemplo da Coca-Cola, empresa mundialmente conhecida por sua excelência. Apesar de muito bem gerida, próximo ao ano 2000, ela chegou a ser negociada a mais de 40 vezes o lucro. Por mais que fosse uma companhia excelente, o preço não justificava o investimento. Caso você tivesse comprado as ações naquele ano e segurasse a posição até hoje, seus retornos anuais não superariam a marca de 3%. Caso tivesse comprado a ação em meados de 1998, em 2016, seu retorno seria nulo.

Isso não significa que a empresa não cresceu. Pelo contrário, a empresa mais do que dobrou suas receitas e quase triplicou seus lucros. Entretanto, como disse Pabrai, uma boa empresa, que constantemente melhora seus resultados, nem sempre é um bom investimento. E isso acontece quando o investidor paga caro demais.

Esse é o principal motivo porque reforço a necessidade de uma margem de segurança adequada para a realização de um investimento. Mesmo que você invista em uma companhia que não possua as características de uma companhia extraordinária, caso consiga pagar o preço correto, com grande desconto em relação ao valor intrínseco, este pode se mostrar um investimento extraordinário.

Não estou dizendo que empresas excelentes não podem ser boas apostas. Só reitero que investidor deve estar sempre atento ao preço inicial, pois, caso pague caro demais, como defende Warren Buffett, seu bom investimento se transformará em um mau negócio.

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