Brasil se destaca no competitivo mercado de startups da América

Por André Bain

Recentemente participei do eMerge Americas, um evento que reúne grandes corporações e traz palestrantes de diversos segmentos para apresentar tendências no mercado de tecnologia e empreendedorismo. O grande foco do evento nos últimos anos tem sido o fomento a startups de diversos segmentos de todos os países do continente americano, que participam em módulos específicos para esse tipo de empresa.

Em seu DNA, o eMerge – e toda a movimentação que ele gera – busca trazer à tona discussões sobre o que se tornará tendência no mercado de empreendedorismo e tecnologia. Figuraram nessas conversas o aumento e importância da presença feminina no meio empreendedor e de investimentos em negócios, as tendências em marketing digital, tecnologias de suporte à gestão, IoT – Internet das coisas e a discussão ainda acalorada sobre blockchain, inclusive trazendo casos reais de empreendedores que estão efetivamente usando esse tipo de tecnologia como forma de fomento ou desenvolvimento de negócios. No primeiro dia estas discussões foram encerradas com a performer e engenheira de som Imogen Heap que mostrou, além de suas habilidades no campo da música que lhe geraram diversos prêmios Grammy, suas luvas musicais disruptivas Mi.Mu, que produzem música via software por meio de gestos. Além do produto inovador, ela explicou como fez uso de criptomoedas para custear o projeto.

Entre conversas, apresentações de negócios e interações, das 100 startups inicialmente escolhidas para participar entre milhares de inscritas, chega-se a 25 empresas das quais apenas 5 serão selecionadas para os pitches finais. Elas realizam apresentações para uma plateia de mais de 1.000 pessoas, além de serem avaliadas por experts do segmento, membros da organização do eMerge e uma celebridade empreendedora convidada – que nesse ano foi o músico Pitbull.

Os speed dates (traduzidos de forma simplória como “encontros rápidos”) promovidos pela 100 Open Satrtups são outro destaque do evento, permitindo que empresas busquem produtos e serviços que atendam suas áreas de inovação ou ainda que investidores encontrem novos negócios interessantes para injetar capital. De forma descomplicada, os empreendedores e seus negócios podem ser abordados e têm a chance de apresentar e conquistar contratos e investimento.

A qualidade das startups que chegam ao eMerge Americas em busca de um lugar de destaque é incrível: discursos bem construídos, cases, análises de negócio bem-feitas e resultados surpreendentes já demonstrados estão entre os pontos que me impressionaram ao circular em meio a outros empreendedores e entender seus negócios e caminhos trilhados. É possível observar essa força presente em empresas em todo continente americano, o que mostra claramente o impacto que o movimento das startups tem gerado na economia dos países por toda a América.

No fechamento do eMerge, as 5 startups reconhecidas mostraram como o mercado é diverso e promissor: da grande vencedora, KnoNap, empresa norte americana que trouxe como tecnologia um guardanapo especialmente projetado para detectar drogas prejudiciais em bebidas, passando por um sistema de pagamento criado no México, o Swap. O Brasil também se viu representado nesse seleto grupo com a Flowsense, uma empresa que fornece soluções de análise comportamental e engajamento de usuários de aplicativos via geolocalização. Além disso, tivemos também a Colômbia representada pelo app de compras TiendApp e uma outra empresa norte americana, com sede em Miami, chamada Bioverse Labs, cujo CEO é brasileiro, e que trouxe como produto um controle de insetos focado em manter a biodiversidade.

O que posso dizer é que, em um meio tão competitivo de novos negócios e fóruns discutindo tecnologias que ainda parecem distantes do dia a dia da grande maioria, fazer parte de uma startup reconhecida pela audiência do evento foi incrível e mostrou que, mesmo com tantos percalços, o mercado latino americano – incluindo o Brasil – tem conseguido se destacar com empresas promissoras. Eventos como este, somados a notícias cada vez mais frequentes sobre feitos realizados por startups “unicórnios” nacionais passando a atuar em países como México, Argentina, Colômbia e outros, me permite afirmar que ainda há espaço para crescimento. Vamos acompanhar e ajudar a escrever os próximos capítulos dessa história!

André Bain, CEO da Flowsense

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