Drone na lavoura: inovação promete transformar a rizicultura

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O arroz é um daqueles alimentos que não podem faltar na mesa do brasileiro. Mas, essa familiaridade com o grão vai muito além do consumo: ela também faz do país o maior produtor fora da Ásia com um cultivo que se estende por 1,96 milhões de hectares. Em Santa Catarina, que ocupa a segunda posição entre os principais produtores nacionais de arroz, diversas ações buscam melhorar ainda mais os resultados da rizicultura. E, nessa busca pelo sucesso em cada safra, a tecnologia vem ocupando um papel primordial.

Exemplo disso é a solução apresentada pela Agrize, startup catarinense que, atualmente, passa por aceleração na Spin. Criada em 2015, ela nasceu com o objetivo de facilitar a vida do agricultor através da tecnologia. “O que fizemos foi questionar: e se houvesse um método mais seguro e eficiente de proteger as lavouras?”, explica Igor Luduwichack da Silva, CEO da Agrize e engenheiro de produção.

E a resposta para tal pergunta foi: sim! Dessa forma, surgiu o método inovador de pulverização agrícola, substituindo o trator por um drone. A solução garante agilidade e segurança, pois a aplicação dos defensivos agrícolas ocorre de forma remota, não deixando o operador exposto aos venenos. E não são só os rizicultores que ganham com a medida. Os consumidores têm menos chance de ingerir arroz com agrotóxico.

Além disso, a startup também está preocupada com a proteção da propriedade do rizicultor, gerando qualidade, economia e produtividade. O serviço de pulverização para os produtores e cooperativas agrega sustentabilidade ao negócio, evitando o desperdício de forma precisa. Outra vantagem em aderir ao método é poder aumentar a receita em 15%, já que sem o uso do trator não há o amassamento do arroz e, consequentemente, perdas na colheita.

De olho em todos esses benefícios, uma das maiores e mais importantes empresas de alimentos do país, a Urbano Agroindustrial, garantiu um aporte de R$ 2 milhões para a startup. A companhia, que atua no beneficiamento de arroz, feijão, farinha e macarrão de arroz, já utiliza a tecnologia da Agrize em fase de testes.

Para o coordenador de matéria-prima da Urbano, João Paulo Franzner, a indústria está diretamente ligada ao produtor e a cidade cresce na medida em que as áreas agrícolas perdem espaço. “Os custos para o produtor são cada vez mais altos e a iniciativa inovadora reduz o custo, com aplicações localizadas. A tecnologia do drone traz a solução de rastreabilidade, monitorando a produção e mostra dados como, por exemplo, o período de carência dos defensivos. Isso traz mais qualidade para o nosso produto”, finaliza.

De suma importância para a economia nacional, o agronegócio também tem estimulado iniciativas AgTech, que começam a aparecer no cultivo de cana-de-açúcar, soja e milho, por exemplo. O termo nasceu nos EUA, no berço da inovação mundial, o Vale do Silício, e se refere às empresas de tecnologia aplicadas à agricultura. Considerada uma das próximas ondas tecnológicas no mundo, a revolução no mercado tem atraído um aumento de fundos de investimentos, grandes companhias de tecnologia e empreendedores de diversos países.

Alinhada a essa realidade, a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) leva aos rizicultores informações e novas tecnologias, que auxiliam para o sucesso da safra. Um desses eventos é o Dia de Campo de Arroz Irrigado. A décima edição ocorreu, recentemente, na propriedade de Raul Laffin, em Joinville, com participação da equipe da Agrize. “Existe muita inovação para o agronegócio, mas há uma lacuna no setor do arroz”, comenta o CEO da startup.

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