Avanço Tecnológico: passado, presente e futuro

Por Lucas Cordeiro, Head de Vendas da Pipefy

Os seres humanos estão no planeta Terra há aproximadamente 300 mil anos. Em todo esse tempo neste planeta maravilhoso e cheio de recursos, os humanos nunca viveram esse boom de avanço tecnológico que está sendo vivenciado hoje. Existem várias razões do motivo disso estar acontecendo, mas eu sempre gosto de reforçar duas: conforme o tempo passa, o conhecimento está cada vez mais acessível, e evolução e avanço geram mais evolução e avanço.

Em eras passadas, era extremamente difícil passar conhecimento de geração para geração, muito porque não haviam línguas evoluídas, apenas sinais e gestos. A primeira língua foi criada pelos Sumérios, por volta de 3 mil a.C. Se colocarmos isso em um gráfico de linha do tempo, vai lhe causar a seguinte reação: “Uau, isso é muito novo!”.

Sim, é muito novo e o seu desenvolvimento é empolgante. É muito mais fácil fazer-se entender quando você fala com alguém que fala sua língua nativa, certo? Mas o que realmente mudou o jogo foi a invenção da imprensa, pelo alemão Gutenberg, em 1.440 d.C. Antes disso, impressões eram feitas praticamente apenas em madeira, o que não era nada escalável. A imprensa fez com que o conhecimento se espalhasse muito mais rápido por meio de livros e, como você bem sabe, ler faz as pessoas ficarem mais espertas. E se você pensa que a língua era relativamente nova, a imprensa foi inventada praticamente “ontem”.

Com o boom do conhecimento, veio a Revolução Industrial, e a imprensa, que era operada manualmente, foi substituída por uma prensa mais automatizada, permitindo a impressão em escala industrial. As pessoas poderiam pensar que a evolução humana estava quase no seu pico neste momento, mas foi no século XX que as coisas realmente decolaram. Carros por todos os lados, aviões voando nos céus, os computadores começaram a mostrar suas supremas capacidades de cálculo, o homem pisa na Lua e, no meio dos anos 90, a internet popularizou-se…

Livros impressos eram rápidos de se passar conhecimento. Mas a internet? Ah, a internet é muito mais rápida. Na verdade, com a internet é possível passar conhecimento, ao vivo, para uma pessoa fisicamente localizada do outro lado do mundo. Nesse momento, por exemplo, você está adquirindo conhecimento de um artigo que está lendo na internet. As coisas evoluíram muito rapidamente!

Por exemplo, imagine levar um homem do ano 1.700 d.C. para os dias de hoje. Ele realmente ficaria em choque com o que veria. O mundo que ele estava acostumado a viver teria mudado insanamente: carros, aviões, celulares, internet. Mas aqui vai o fun fact: para esse cara de 1.700 d.C. causar em outro ser humano o mesmo nível de choque, ele teria que trazer uma pessoa do ano 12.000 a.C. para o ano de 1.700 d.C. Sim, você leu corretamente. E para uma pessoa do ano 12.000 a.C. chocar alguém da mesma forma, ele teria que trazer alguém do ano 120.000 a.C.

Isso tudo ocorre por conta de uma regra simples: se aprendermos e passarmos o conhecimento rapidamente, a evolução é impulsionada. E, conforme o tempo passa, isso parece acontecer cada vez mais rápido. Então, o que nos espera? Eu imagino algo como isso:

É bem importante que você entenda a exponencialidade da evolução. Se você entender isso, vai ficar impressionado com o que as mentes mais brilhantes do mundo estão trabalhando em relação à Inteligência Artificial, que, na minha opinião, pode ser a nova grande revolução da humanidade.

Vou me usar como exemplo. Se eu pudesse voltar no tempo e falar para o meu “eu do passado” como o mundo é hoje, eu provavelmente não acreditaria em mim mesmo. Quando eu nasci, em 1988, computadores estavam começando a ser “algo”, assim como a Internet. Não haviam smartphones. O conhecimento era basicamente compartilhado por meio de livros e enciclopédias. Hoje eu posso perguntar ao Google “quem inventou a escrita?” e receber uma resposta instantânea. Eu posso ouvir as músicas que eu gosto sem ter que comprar CDs ou vinis.

Agora vamos usar nossa máquina do tempo de novo: se você pudesse trazer o seu “eu do futuro” para os dias de hoje, o que você acha que ele diria? Quem pode adivinhar o que os próximos 30, 50, 70 anos vão parecer? Eu realmente acredito que tem muito a ver com Inteligência Artificial.

Existem três tipos de AI (artificial intelligence):

Artificial Narrow Intelligence (ANI), traduzido como Inteligência Artificial Específica, que é uma forma de AI especializada em algo (Pôquer, por exemplo; ela sabe tudo sobre Pôquer, é genial jogando Pôquer, mas não faz nada além disso);

Artificial General Intelligence (AGI), traduzido como Inteligência Artificial Geral, muito referenciada como Inteligência de Nível Humano. AGI poderia performar qualquer coisa que um humano seria capaz de fazer. AGI ainda não existe.

Artificial SuperIntelligence (ASI) é, como definida pelo professor de Oxford e uma das mentes mais brilhantes relacionadas a AI, Nick Bostrom, “um intelecto muito mais inteligente que os melhores cérebros humanos em praticamente todos os campos, incluindo ciência criativa, conhecimentos gerais e técnicas sociais”.

Hoje, o mundo está cheio de ANI. Você encontra ANI em carros autônomos, quando está comprando algo online e a AI te oferece produtos similares, Siri, Google Tradutor, entre outros. Estamos perto de alcançar AGI. Os especialistas mais pessimistas acreditam que é mais provável que tenhamos AGI do que não tenhamos no ano de 2075. Os mais otimistas visualizam um mundo com AGI em 2040. Volte aos gráficos deste artigo e veja o quão perto estamos.

AGI pode mudar o jeito como vivemos hoje. Ela vai substituir muitos trabalhos humanos, então algumas mentes já estão, inclusive, pensando em distribuição global de renda, o que provavelmente será um problema no futuro. Além do mais, AGI irá ajudar vários setores, como a medicina, tecnologia, indústria e outros. Pense nas coisas incríveis que a AGI poderia trazer.

OK, isso é legal. Mas ASI é bem mais legal. E o caminho para chegar lá é extremamente difícil, excitante e também preocupante, de algumas formas.

Como atesta Nick Bostrom, “ASI seria um intelecto muito mais inteligente que os melhores cérebros humanos”. Para um melhor entendimento deste conceito, eu gosto de usar a imagem da Escada da Inteligência, que coloca os seres humanos como criaturas superiores a formigas, galinhas e macacos. E, claro, nosso cérebro é realmente muito mais evoluído que o desses animais, então a escada se parece com isso:

O mais incrível sobre ASI, é que quanto mais esperta ela fica, mais rápido o poder dela aumenta a sua própria inteligência. Essa é a parte em que se torna excitante e preocupante ao mesmo tempo. Você consegue imaginar uma AI autoevoluindo? Ela pode encontrar conhecimento de uma maneira fora de nossa compreensão. Mesmo que a ASI quisesse tentar nos ensinar algo, seria difícil, porque provavelmente ela falaria de coisas que nós nem ao menos entendemos. Imagine esta situação como se você tentasse ensinar física quântica ao seu cachorro. Ele não entenderia e as pessoas ririam de você ao vê-lo tentar fazer isso.

Especialistas estão convencidos de que chegaremos lá. A principal preocupação e desafio que eles enxergam é como criar uma ASI que pudesse ser controlada, algo gerenciável. Uma das mentes mais brilhantes que já passou pela Terra, Stephen Hawking disse: “O desenvolvimento de uma inteligência artificial completa poderia desencadear na extinção humana”. O Professor Hawking disse que a inteligência artificial básica que já desenvolvemos mostrou-se muito útil, mas ele teme as consequências da criação de algo que poderia igualar ou até passar os humanos.

Por outro lado, Ray Kurzweil, autor norte-americano, cientista da computação, inventor, futurista e Diretor de Engenharia do Google diz para que não temamos a inteligência artificial: “AI não está em uma ou duas mãos; está em 1 ou 2 bilhões. Uma criança na África com um smartphone tem mais inteligência ao acesso de informações do que o presidente dos Estados Unidos tinha 20 anos atrás. Conforme AI continua a ficar esperta, seu uso também crescerá. Virtualmente a capacidade mental de todos será aumentada em uma década”. Basicamente o que ele diz é que, com o crescimento exponencial da AI, os humanos crescerão na mesma proporção.

Kurzweil complementa: “AI hoje está avançando nos diagnósticos de câncer, encontrando curas, desenvolvendo energias renováveis, ajudando a limpar o ambiente, provendo educação de alta qualidade para pessoas do mundo todo, ajudando os deficientes e contribuindo em uma série de outras forma. Temos a oportunidade nas próximas décadas de dar grandes passos para enfrentar os grandes desafios da humanidade. AI vai ser a tecnologia pivô em alcançar esse progresso. Temos um imperativo moral para realizar essa promessa enquanto controlamos o perigo. Não será a primeira vez que conseguimos fazer isso”.

Eu concordo com o Ray. E estou ansioso para viver este futuro.

Bons tempos estão chegando!

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