Retração econômica derruba investimentos em inovação no Brasil

Os estados do Brasil abrigaram R$ 7,1 bilhões de recursos em pesquisa e desenvolvimento em 2017, um volume 44% menor do que o realizado em 2012, auge da atividade, quando o montante atingiu R$ 12,6 bilhões. A forte retração econômica, com quedas brutais das atividades econômicas sobretudo em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, é apontada como a principal causa do fenômeno.

A conclusão é do estudo Mapa Estadual dos Investimentos em Inovação, elaborado pela empresa internacional Global Approach Consulting (GAC), com base em dados oficiais do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). “Na prática, os estados brasileiros retrocederam quase uma década em termos de investimentos em pesquisa e desenvolvimento”, explica Rodrigo Miranda, diretor da GAC no Brasil e coordenador do levantamento.

São Paulo concentra quase 70% dos investimentos estaduais, com R$ 5,8 bilhões de recursos aplicados por meio de órgãos governamentais, centros de pesquisa, escolas e empresas públicas e privadas. O estudo não considera os volumes aplicados em ciência e tecnologia, ou seja, no território da pesquisa pura não-aplicada.

O estado do Paraná é a maior surpresa do levantamento, ocupando a segunda posição, concentrando investimentos de R$ 499 milhões em inovação. Em terceiro lugar, vem o Rio de Janeiro, com R$ 310 milhões. Em quarto, a Bahia, com R$ 167 milhões. Por fim, Minas Gerais ocupa a quinta posição com R$ 182 milhões (ver ranking completo abaixo).

Para calcular os investimentos, a equipe da GAC utilizou as tabelas do relatório do MCTIC, com o percentual de investimento médio de cada estado em relação a sua receita nos últimos quinze anos. Esses dados foram cruzados com os informes de arrecadações estaduais da Receita Federal e, assim, chegou-se à estimativa de aplicação de recursos em pesquisa e desenvolvimento tanto em 2016 quanto em 2017.

“Os dados revelam que o Brasil precisa voltar a se concentrar na questão da inovação”, informa Miranda. “Temos de ampliar os mecanismos de financiamentos existentes, como a Lei do bem, criar novos instrumentos e desburocratizar todos os processos”, complementa.

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