Em meio a deficiências no ensino brasileiro, aprendizagem visual surge como alternativa ao problema

De acordo com a organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil está em segundo lugar entre os países com o maior número de estudantes de baixa performance em matemática básica, ciências e leitura. As informações estão contidas no relatório Alunos de baixo desempenho: por que ficam para trás e como ajudá-los? que teve a participação de 12,9 milhões de estudantes com 15 anos de idade, sendo 1,1 milhão deles brasileiros. Já em 2017, o Movimento Todos Pela Educação divulgou uma pesquisa que indica um retrocesso no segmento escolar nos últimos 18 anos.

Apesar de existirem diferentes fatores capazes de resultar neste cenário, tais como: qualidade do ensino, continuidade do aprendizado, economia e barreiras sociais, é inegável que o estilo de aprendizagem também contribui para o sucesso no processo de internalizar informações. Neste contexto, a linguagem e o pensamento visual destacam-se entre os demais sentidos humanos (audição, paladar, olfato e tato) .

O biólogo molecular norte-americano John Medina afirma que o índice de retenção de um conteúdo ouvido é de 10% após três dias do acontecimento enquanto a leitura favorece o armazenamento em 20% ao longo do mesmo período de tempo e os elementos visuais em 65%. “O motivo para a visão ter mais eficácia reside no fato de exigir menor atividade cerebral durante o processo de aprendizagem. O sentido é responsável por identificar as informações e encaminhá-las de forma integrada ao cérebro para permitir a captação dos sinais emitidos. Por fim, os elementos são alinhados para a chamada ‘reconstrução da realidade’. Quanto mais simplificado for esse processo, mais rápida e efetiva a absorção do conhecimento será”, afirma, Renato Gangoni, CEO da Spin Design, multinacional brasileira que transforma processos corporativos e padrões mentais através de mapas visuais.

Para confirmar a importância da linguagem visual, basta olhar para a história da humanidade. Antigamente, as imagens eram utilizadas em paredes de caverna para contar histórias de vida e hoje estão nas organizações com o objetivo de transmitir ideias relacionadas ao mercado. Ou seja, a visão mostrou-se capaz de registrar e transcender as mudanças sociais.

A partir da descoberta do poder das imagens, a expressão “quer que eu desenhe?” ganha um novo ângulo. Afinal, às vezes as palavras e os sons não são suficientes. Na visão de Gangoni, em tempos de excesso de informação, o chamado “Visual Thinking” se destaca. “O pensamento visual é a maneira mais assertiva de organizar ideias de um jeito intuitivo, objetivo e simultâneo”, explica o executivo.

Desperte o pensamento visual

Pensando em contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem visual, Gangoni separou algumas dicas úteis para quem deseja exercitar o Visual Thinking:

– Sempre tenha caneta e papel por perto;

– Durante uma apresentação, utilize o quadro branco + pincel atômico para facilitar a comunicação;

– No caso de conference calls, utilize sistemas que permitam fazer desenhos rápidos;

– Comece a estimular o lado visual por meio de colagens ao longo da construção de demandas corporativas. Nesta sugestão também é válido desenhar manualmente fluxogramas e estratégias de negócios;

– Monte apresentações baseadas apenas em recursos visuais (infográficos, tabelas, diagramas, vídeos etc.).

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