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O desafio do macroambiente para startups no Brasil – Por João Gabriel Chebante

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O ano de 2016 terminou e o ambiente de startups brasileiro ficou marcado por grandes histórias, como os avanços no segmento de serviços (destaque à Movile e Samba Tech), bem como de aplicações para o grande público e seus embates com o que podemos chamar de geração anterior de negócios – desde o Spotify e a commoditização do consumo de música, o Uber e o compartilhamento de veículos, até o Nubank e seu embate contra o status-quo do segmento bancário e a meteórica expansão do Netflix, que rivaliza com os grandes grupos de mídia nacional por audiência e receitas.

Empreender no Brasil já é desafiador – vide a estatística que 30% das empresas que nascem hoje não estarão vivas até 2018, segundo o SEBRAE. Em um país onde a banda larga ainda está muito aquém do potencial, o cenário ainda é mais desafiador. Mesmo assim, temos grandes histórias no Brasil, onde ao menos o engajamento por ferramentas de interação social e facilitação de acesso a itens como veículos, filmes e crédito é um dos maiores do mundo. Pensar que o Netflix, segundo dados de mercado, tem no Brasil um faturamento maior que a segunda maior emissora de televisão aberta, mesmo tendo acesso inferior a 10% da população só mostra o quão lucrativo um negócio bem estruturado pode chegar, e o tamanho da demanda reprimida por produtos e serviços do país. Soma-se a isso a propaganda e publicidade gratuita que usuários e até concorrentes realizam – ou vocês acham que as paralizações de taxi nas grandes capitais beneficiaram quem, além do Uber?

Um grande desafio destes aplicativos – e para empresários ou empreendedores – reside no ambiente político-legal do nosso macroambiente de marketing. Temos uma legislação civil e trabalhista mais complexa do planeta, o que dificulta tanto o acesso a mão de obra quanto seus resultados financeiros. Netlflix e Spotify que o digam: depois de meses em negociação com autarquias públicas, provavelmente terão de considerar o pagamento de ISS e outros impostos nas suas operações no país a partir do ano que vem. Custos que vão gerar maior cobrança ao consumidor. Dificilmente a assinatura destes serviços não terá um incremento de 10% no próximo ano. O mesmo veremos no Uber e sua intrincada regulamentação em grandes centros como Rio e São Paulo. Foi um vespeiro que nenhum candidato a prefeito tocou por temer a perda de votos, mas que virá à tona e demanda uma resolução ainda em 2017.

O capítulo de maior destaque, contudo, fica ao Nubank: a startup que alçou ao estrelato não exatamente pelo seu modelo de negócio, mas por deter uma comunicação e relacionamento aberto e divertido com seu público-alvo, ameaçou fechar as portas caso o Banco Central mude a polícia de repasse de valores em compras para operadoras de cartões – hoje estruturado para 28 dias entre pagamento e recebimento por parte do lojista. Apesar das reclamações, a medida pode ser um alívio para pequenos e médios negócios que precisam de capital de giro (muitas vezes obtido a base de juros abusivos) para pagar suas despesas e investimentos para manter a operação em dia. Uma canetada que pode tornar o ambiente de negócios do país como um todo mais competitivo pode invariavelmente não somente comprometer a performance de grandes empresas (as ações da Cielo, líder nacional em transações eletrônicas veem em trajetória de queda desde a sondagem desta medida) e o fechamento de quem possui menor porte, como Nubank e outras startups fintech que possuem uma carteira de clientes apaixonados, mas pouca estrutura de caixa para suportar um giro mais rápido de remuneração ao comercio – ainda que o provável seja a venda da carteira e marca a algum concorrente.

Por isso, no estudo e uso da Inteligência de Mercado como disciplina e filosofia de negócios, o mapeamento do macroambiente é fundamental para a estruturação da estratégia de uma empresa, independente do porte. Seja através da tecnologia que coloca uma classe inteira de profissionais em xeque, como os taxistas, ou de reinventar a atuação de outra como os músicos, a soma papel, caneta e assinatura pode mudar tudo. Em 2017, quanto mais ciente e antecipado à estas mudanças você estiver, mais preparado para lidá-las de forma rápida e assertiva estará. E tudo que você precisa para 2017 e ser mais estratégico, enxuto e veloz.

João Gabriel Chebante, fundador da Chebante Brand Strategy. Formado em Administração com Ênfase em Marketing na ESPM, com especialização em Modelagem de Negócios pela mesma faculdade e Gestão de Marcas (branding) pela FGV.

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