Estratégia e execução devem andar de mãos dadas

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Por Luiz Melo

Um artigo que me chamou muito a atenção, escrito por Stephen Kanitz, em 1998, intitulado “Iniciativa e o poder da acabativa”, dizia que para o Brasil começar a dar certo seria preciso procurar valorizar mais os brasileiros com a capacidade de implantar ideias. Era uma reflexão sobre as pessoas com capacidade de gerar ideias (iniciativa), mas que quando o assunto era implantá-las (acabativa) suas limitações vinham à tona. E isso nunca esteve tão atual no cenário brasileiro.

Tomaria a liberdade ainda, de fazer algumas inserções que ajudariam a deixá-lo um pouco mais realista. É fato que sobram “pensadores” nas empresas e que estes ficam pouco à vontade quando o assunto é colocar a mão na massa, pois o trabalho do fazer, relegado ao segundo escalão das empresas, é considerado um trabalho menos nobre do que o trabalho do pensar. Via de regra, sabe-se muito sobre a criação da estratégia, mas muito pouco sobre o seu real funcionamento.

Já trabalhei em empresas em que constatei que haviam sido gastos algumas centenas de milhares de reais com consultorias preocupadas em focar na revisão da estratégia, posicionamento, missão, visão, valores, em realizar convenções com apelos motivacionais, mas que praticamente nada havia deixado de legado de como implantar a estratégia que eles mesmos haviam redesenhado.

Na verdade não é uma crítica às consultorias, mas apenas uma constatação de como parece ser difícil escrever as páginas do livro dedicadas à ação do como se deve executar aquilo que se fala ou se escreve. Observei por lá que havia muito pensamento abstrato e praticamente nada dedicado à parte que une a implantação ao processo contínuo de monitoramento da implantação da estratégia. Se execução é essencial para o sucesso, por que as organizações não dedicam tempo suficiente quando se trata em desenvolver uma abordagem pragmática que as conduzam na direção de resultados estratégicos importantes?

Um planejamento frágil gera um processo de implantação frágil. A execução de uma estratégia e de um planejamento insuficientes são a garantia de que o resultado final será desastroso. Parte dessa história, com o fim já conhecido no início, pode ser atribuída ao vicio intrínseco de se pensar estratégia, planejamento e execução como partes e não como a própria essência do trabalho. É até mesmo comum em certas empresas uma forte cultura da departamentalização; ou seja, cada um em sua caixinha num processo que combina má comunicação com mau gerenciamento da implantação.

A má comunicação começa com a cúpula da empresa, que se incumbe em formular a estratégia e repassá-la adiante em um processo contínuo de repasses para os departamentos envolvidos na implantação. E como executar não é algo que os pensadores das empresas estejam acostumados a fazer…

Execução é algo que se aprende na “escola da vida real”, e os caminhos que levam a resultados bem-sucedidos vêm acompanhados de erros e frustrações como disse Lawrence Hrebiniak no livro “Execução – Fazendo a Estratégia Funcionar”.

O saber fazer é algo tão importante quanto o saber pensar e se faz necessário, para o bem dos negócios, que haja uma maior integração dos “fazedores” e dos planejadores com aqueles responsáveis pela formulação da estratégia, pois um projeto que não é aplicável na prática se assemelha muito àquele ditado chinês que diz que “Quem sabe e não faz, no fundo, não sabe”. Muito apropriado para os dias de hoje.

Luiz Melo, especialista em Gestão de Produtos & Supply-Chain e sócio-diretor da 360 Varejo

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