Governança corporativa para empresas familiares – Por Alexandre Calderaro*

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Grande parte das empresas brasileiras, assim como ocorre na maioria dos países, são familiares. É muito comum que as empresas sejam iniciadas por um empreendedor nato, na maioria das vezes, apenas com conhecimentos práticos relacionados à administração e gestão de negócios.

A empresa, então, cresce por ter bons produtos ou serviços e gerenciamento satisfatório, e a próxima geração acaba sendo absorvida pelos empreendimentos iniciados pelos pais, alguns por vontade própria e outros por ser essa a única maneira de “perpetuar” o negócio e cuidar do patrimônio da família.

Ao estudar o tema, nos deparamos com números alarmantes. Segundo o especialista em empresas familiares, Ivan Lansberg, cerca de 70% desses empreendimentos desaparecem antes que a segunda geração assuma totalmente o comando e 88% antes que a terceira geração o faça.

A grande questão é que, com o crescimento do negócio, surgem as necessidades de profissionalização e planejamento, para que a estruturação e transição de liderança ocorram da melhor forma possível. É nessas situações que a governança corporativa aparece como uma excelente ferramenta para o desenvolvimento do negócio em médio e longo prazos.

Entre os conceitos que caracterizam a governança corporativa, está o de que serve como ferramenta estratégica para o crescimento e evolução da qualidade de gestão, ao se alinhar os canais de comunicação entre família e empresa, no que tange aos assuntos familiares, à gestão do negócio e à propriedade em si.

Trata-se de um sistema pelo qual o empreendimento é dirigido, monitorado e fomentado, envolvendo os relacionamentos entre sócios, o conselho de administração, a diretoria e os órgãos de fiscalização e controle.

Nesse processo lento e gradual de descentralização, administração de riscos, geração de valor e perenidade da empresa são utilizados alguns pilares: transparência, equidade e responsabilidade corporativa.

Fundamental para a confiabilidade e sustentabilidade empresarial, a governança proporciona uma melhora significativa no desempenho dos negócios através de recomendações e diretrizes claras e diretas. E, mais além, alinha os objetivos da empresa e de todos os que estão envolvidos em sua gestão para um crescimento duradouro do empreendimento. Principalmente neste momento de crise e de queda do volume de vendas quase todos os setores da economia. Nesse ponto, inclusive, a ferramenta pode fazer a diferença em termos de melhores resultados financeiros ou, ao menos, minimização das perdas.

Por toda essa abrangência e pela capacidade de transformação empresarial, a governança corporativa não deve ser vista como uma ferramenta aplicável somente para gigantes da indústria. Trata-se, afinal, de uma questão de sobrevivência para as empresas de pequeno e médio porte e que ainda possuem inúmeros problemas de gestão e precisam corrigí-los.

*Alexandre Calderaro é advogado, membro do Task Force de Indústria do escritório A. Augusto Grellert Advogados

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