Camila Farani assume a presidência do Gávea Angels. É a primeira mulher à frente de um Fundo de Investidores-Anjo no país

Camila Farani assume a presidência do Gávea Angels. É a primeira mulher à frente de um Fundo de Investidores-Anjo no país

Camila Farani, Cofundadora da Lab22, Gestora de Startups e Cofundadora do MIA – Mulheres Investidoras Anjo, assume posição de Presidente no Gávea Angels, um dos primeiros grupos de investimento anjo do Brasil com mais de 10 anos de existência.

“Fiquei muito honrada em assumir a presidência do Gávea! Há quatro anos quando entrei no Gávea Angels, olhava os outros investidores com muita admiração e achava que eles eram inatingíveis. Hoje, assumindo esse cargo de relevância, me sinto muito lisonjeada e principalmente, reconhecida por investidores que possuem um background muito relevante”, contou ela.

O processo dentro do Gávea funciona da seguinte maneira: O empreendedor submete seu Pitch pelo site, que é avaliado por um comitê de operações que faz todo o processo de triagem das startups. Depois desse processo, 3 projetos são selecionados para se apresentarem presencialmente em um fórum que acontece de 5 a 6 edições durante o ano. É no fórum que os empreendedores têm contato com toda a rede de investidores da associação e conseguem realmente vender a sua ideia.

O Gávea Angels é uma associação sem fins lucrativos e conta com uma série de investidores que dedicam o seu tempo sem nenhum tipo de monetização. Camila destaca que é muito difícil manter um grupo ativo e reunido por mais de 10 anos, ainda mais se tratando de uma instituição sem fins lucrativos, por isso, ela pretende implementar uma gestão mais profissionalizada com foco em governança. À frente da Gávea, Camila pretende trabalhar em cima de 3 pontos principais:

Aumentar o deal flow – número de propostas de investimento que chegam ao capitalista de risco. Camila conta que o deal flow também passará a ser cada vez mais online e dinâmico. Hoje basicamente a captação é online, mas os empreendedores precisam participar presencialmente do fórum. A ideia é que não necessariamente eles precisem estar ali presentes, mas que todas as startups tenham acesso aos investimentos de uma forma mais dinâmica.

Atrair mais fundos de investimentos – Camila acredita que existe um gap entre os investidores e empreendedores que receberam investimento de anjo. Como conseguimos otimizar o ciclo de investimento? Como fazer com que aquela empresa melhor capacitada seja melhor direcionada para ter contato com os fundos? Uma startup precisa de ciclos de investimento, por isso a ideia é trazer esses fundos de investimentos mais perto do Gávea Angels. A forma como isso será feita ainda está sendo decidida.

Trazer startups internacionais para o Brasil – Ao invés de termos que ir até o Vale do Silício ou para outro lugar para entender como outras startups e ecossistemas funcionam, a ideia da Camila é trazer startups internacionais para o Brasil, para que elas fiquem um período específico, trocando experiências com os empreendedores brasileiros. O grupo pretende implementar a ideia por meio de parcerias que já estão sendo firmadas.

“Quero que todo o processo se torne mais acessível e mais direto para os empreendedores e investidores”, comenta.

Camila é a primeira mulher à frente de um fundo de investidores-anjo no País e se sente lisonjeada pela confiança e respeito depositado, mas isso garante uma responsabilidade muito maior de trabalho para que realmente consigam evoluir com o cenário empreendedor brasileiro.

“Existem tantas boas investidoras anjo no Brasil, eu quero que elas participassem mais! Precisamos de mais mulheres liderando diversos tipos de fomento ao empreendedorismo”, provoca Camila. E por que precisamos de mais mulheres? Simplesmente porque já foi comprovado que as mulheres se inspiram em outras mulheres. “Não adianta querermos aumentar o número de empreendedoras se não temos mulheres investidoras para servirem como ponto de referência para quem está começando”.

E o que falta para que mais startups recebam investimento? Para Camila a resposta é educação e conhecimento! Ela acredita que estamos vivendo uma revolução, assim como aconteceu com a espécie humana. Como ainda é tudo muito novo, ambos estão amadurecendo, startups e investidores. “Talvez falte capacitação tanto dos empreendedores quanto dos investidores para efetivamente construir uma cadeia de valor e de investimento”.

Sobre a “banalização” do investidor anjo com o surgimento de cada vez mais eventos de captação de recurso e de equity crowndfundings, Camila destaca dois vieses: de certa forma essas iniciativas acabam ampliando o leque de oportunidades para os empreendedores, mas ali existem investidores que são meramente financeiros, com algumas exceções. Se esse ponto não for levado para as discussões e estratégias de negócio da startup, isso acaba sendo um ponto negativo.

Ela acredita que a proposta do equity crowndfunding tem muito a acrescentar, aumentando o número de investidores e incentivando o mercado, mas em algum momento será levantada a bandeira da necessidade da capacitação. Por que? Pois como em todo processo de investimento existem jargões e termos jurídicos, e os investidores precisam saber que podem não conseguir um retorno imediato. “É muito importante esse entendimento por ambas as partes, investidores e empreendedores. Eu como investidora, assumo o papel de capacitar os investidores, levantando todos os pontos que devem ser analisados”.

O Gávea Angels tem o perfil de investir em startups de todos os segmentos, desde que sejam negócios com alto potencial de crescimento e que possuam modelos já tracionados, mas não deixa de olhar projetos em fase pré-operacional, devido a pluralidade e diversidade de expertise dos investidores em sua rede.

Para se dedicar 100% ao Gávea Angels, Camila não está mais à frente do grupo Boxx, focado em soluções para alimentação para o varejo e serviço. Como Cofundadora do MIA – Mulheres Investidoras Anjo, ela continua participando das decisões, mas não tão ativamente no dia-a-dia. A partir de agora, a operação do MIA estará ligada a Anjos do Brasil com Maria Rita Spina, utilizando o mesmo modus operandi da associação.

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