Mercado de trabalho se mantém estável em 2014, aponta estudo

Mercado de trabalho se mantém estável em 2014, aponta estudo

As empresas brasileiras conseguiram manter estabilidade na gestão de pessoas durante 2014, marcado por baixo crescimento econômico, grandes eventos, incertezas políticas e econômicas. Três fatores principais contribuíram para esse quadro: baixo índice de demissões, diminuição no turnover e variação de valores salariais dentro da média. É o que mostra a terceira edição do Guia Salarial Hays/Insper.

O número de empresas que realizaram demissões passou de 61%, em 2013, para 48%, em 2014, mostrando um equilíbrio no mercado de trabalho. O congelamento salarial também se manteve na mesma faixa, variando de 18% para 26%. A rotatividade nas empresas passou de 63% para 36%, o que demonstra maior cuidado por parte dos profissionais para realizar movimentações na carreira.

Se por um lado o mercado mostra estabilidade, por outro, relacionado a percepções, empregadores e profissionais relatam receios. Um exemplo é número de profissionais que afirmam que as condições estão mais difíceis do que em 2014, que aumentou de 12% para 34%, mais que o dobro. Outro indicativo é o porcentual de pessoas que se mostram interessadas em novas oportunidades: 80% dos entrevistados afirmam estar abertos a novas propostas.

A confiança na economia também reduziu, tanto por parte dos trabalhadores quanto das empresas. Entre os entrevistados do primeiro grupo, 67% dizem que falta confiança, taxa que era de 29% em 2013. Entre os empregadores, 69% têm a mesma opinião contra uma fatia de 33% registrada na última pesquisa.

Para Carla Rebelo, diretora Geral de Operações da Hays no Brasil, os dados são um termômetro das oscilações ocorridas no país no último ano. “Com a Copa do Mundo, houve uma grande expectativa por movimentações econômicas que não se concretizou. Além disso, as incertezas sobre os rumos da economia se fizeram presentes durante todo o período das eleições”, pontua.

“O Guia Salarial permite aos profissionais, empresas e governos, terem subsídios para tomarem decisões acertadas. A publicação desses dados pode contribuir para a melhoria das condições do mercado de trabalho local”, afirma Carla.

A pesquisa tem como objetivo traçar o perfil dos profissionais que atuam no país e apontar as principais tendências do mercado de trabalho. Por ser um trabalho conjunto entre uma consultoria e uma instituição de ensino, consegue unir a expertise de recrutadores ao olhar acadêmico apurado.

Principais conclusões

• A capacidade de trabalho (36%) e adaptação (13,7), motivação (31%), polivalência (11%) e lealdade (4,5%) são os principais aspectos valorizados em um funcionário num momento de estabilidade econômica da organização, segundo as empresas.

• As empresas também citaram que valorizam em um funcionário a capacidade de trabalho e adaptação, motivação, polivalência e lealdade. 36% valorizam capacidade de trabalho, ou produtividade, enquanto 31% leva em conta a motivação.

• Ao recrutar externamente, 51% das empresas valorizam as qualificações do candidato, 34% avaliam a forte experiência, 12% citaram outros quesitos e 3% a possibilidade de mobilidade.

• O inglês é o idioma mais importante para 99,11% das empresas, seguido de espanhol (51%) e alemão (5%). Apenas 2,5% dos entrevistados acham o Mandarim essencial ao mercado de trabalho.

• De acordo com 77% dos respondentes, o conhecimento de língua estrangeira é importante no seu setor de atuação.

• 64,4% das empresas oferecem remuneração variável aos funcionários. Esse número aumentou em relação a 2013 (63,51).

• Dessa remuneração variável, 50% varia de 11 a 25%. Remunerações com variação de mais de 50% correspondem a apenas 10% da amostra consultada.

• A avaliação da remuneração variável, em 82% dos casos, tem como base os resultados da empresa, 55,5% levam em conta, ainda, avaliações individuais de desempenho e outros 50% resultados ou objetivos individuais.

• 97% das empresas que atuam no país oferecem benefícios, além do salário, para os funcionários.

• Dos benefícios oferecidos, 89,5% referem-se a seguro saúde, 84% seguro de vida, 75% seguro odontológico. Mais de 70% oferecem notebook, 77% vale-alimentação e 66% estacionamento. Quase 38% oferecem previdência privada.

• Quase 100% da amostra (98%) considera os benefícios oferecidos por uma empresa como ferramenta importante de recrutamento e seleção de profissionais.

• O número de empresas que oferecem benefícios aos funcionários passou de 91% em 2013 para 97% este ano. Isso mostra um aumento significativo na flexibilidade de meios de remuneração.

• A rotatividade dos profissionais dom menos experiência de mercado (até 2 anos) passou de 62% no último ano para 70% em 2014. A variação reforça o investimento das empresas em manterem os talentos e a maior estabilidade dos profissionais com mais experiência.

• O anseio por experiências internacionais aumentou. Em 2014 70% dos respondentes do Guia Salarial mostram interessem em viajar e conhecer novos mercados. Em 2013 62% mostraram o mesmo interesse.

• 44% das empresas respondentes mantiveram os investimentos em RH em 2014. Esse dado aponta para o fato de que os profissionais de Recursos Humanos estão cada vez mais estratégicos às corporações.

• Diante do candidato ideal, 37% das empresas entrevistadas compensam o salário do candidato com benefícios diferenciados (37%), enquanto 36% desistem do candidato por não conseguirem negociar valores – em 2013 essa porcentagem chegava a 41%. Outros 27% afirmam ter salários compatíveis à expectativa.

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