O trânsito afeta a rotatividade da sua empresa?

O trânsito afeta a rotatividade da sua empresa?

Por Jacob Rosenbloom

O trânsito paulistano é uma constante na vida de cada morador da cidade. Usado em muitas desculpas de atraso no expediente, o carregado tráfego da capital paulistana também tem causado impactos negativos nas taxas de empregabilidade de São Paulo, principalmente, na maior faixa da pirâmide do emprego, a dos cargos operacionais, hoje 70% da força de trabalho (70 milhões de pessoas em todo o País).

A questão da qualidade de vida, cada vez mais presente no consciente do trabalho e também das áreas de recursos humanos, tem orientado a procura de muitos profissionais, em busca de melhores condições de trabalho. Um dos grandes questionamentos dos gestores dos departamentos de Recursos Humanos é a questão da retenção. Como segurar um profissional na empresa e evitar encargos com sua saída e com a abertura de nova vaga, seleção, nova contratação, capacitação de um novo profissional e integração? Um ciclo cada vez mais oneroso para as companhias.

E o que se pensava que era irrelevante até pouco tempo, tornou-se determinante para quem procura um emprego ou uma recolocação: a localização da empresa. Ao perguntar aos profissionais inscritos no site Emprego Ligado sobre a questão da retenção, muitos disseram ser cada vez mais fundamental ter tempo para a família e para o lazer, ou seja, a questão da qualidade de vida, diretamente ligada à ao tempo gasto no trânsito. O que levaria o profissional a pedir demissão da empresa em menos de um ano? O levantamento apontou que 43,3% das pessoas saem das empresas por não visualizarem um plano de carreira. Já 36,7% deixam o cargo em função da distância da casa ao trabalho. Outros 33,3% disseram levar em conta o ambiente e o clima, enquanto 30% afirmaram que o salário é essencial para retê-lo.
Mais de 80% da base de cadastrados da Emprego Ligado permanece no trabalho mais de seis (6) meses quando a empresa é mais próxima da residência. O profissional quer mais tempo livre. E quando ele precisa pegar mais de duas conduções para o trabalho, ele começa a não ter tanta disposição para cumprir as horas estabelecidas no contrato. E muitas vezes saí antes de completar seis meses, onerando ainda mais o RH

É preciso entender que a logística das grandes cidades é um item da equação de retenção dos funcionários. E os profissionais de RH não podem deixar mais a questão da localização de fora. Não adianta apenas oferecer o benefício do vale transporte. Além da questão da retenção, é preciso levar também em conta a questão do comprometimento e da produtividade. Empregados mais felizes por morarem perto do trabalho são mais comprometidos e mais produtivos. E faltam menos.

Jacob Rosenbloom é CEO da Emprego Ligado.

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