Desaceleração da economia, crédito e "efeito Copa" impactam nos emplacamentos de veículos

Desaceleração da economia, crédito e "efeito Copa" impactam nos emplacamentos de veículos

A Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, entidade que representa mais de 7,7 mil concessionários de veículos de todo o Brasil, divulgou hoje (02), durante coletiva de imprensa, o desempenho do setor automotivo no mês de junho e do 1º semestre do ano, além de ter revisado as projeções do setor para o encerramento do ano de 2014.

As vendas de todos os segmentos somados (automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros, como carretinhas para transporte) apresentaram retração de 12,45%. Foram emplacadas 385.279 unidades no mês passado, contra 440.074 no anterior. Esse resultado, se comparado ao obtido no mês de junho/2013 (464.044 unidades), o setor apresentou retração de 16,97%. Na comparação entre os acumulados de janeiro a junho de 2013 e 2014, este ano sofreu queda de 6,54% nos emplacamentos de todos os segmentos somados.

Todos os segmentos automotivos, individualmente, tiveram queda nos resultados de emplacamentos no semestre.

A queda registrada para automóveis e comerciais leves chegou a 9,81% em junho sobre maio deste ano, e foi de 7,33% no acumulado do ano sobre 2013.

Na opinião do presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti, uma série de fatores impactou, negativamente, no setor neste semestre. Para Automóveis e Comerciais Leves, por exemplo, houve a retomada de dois níveis de recomposição do IPI (janeiro e abril), o aumento do preço dos veículos em função da obrigatoriedade dos freios ABS e Airbags, o baixo desempenho da economia e maior retração da oferta de crédito para financiamento de veículos. “Atrelado a esse cenário, onde talvez o crédito tenha sido o fator mais forte, ainda tivemos a realização do Carnaval em março e da Copa do Mundo que, efetivamente, reduz os dias potenciais de vendas em cerca de um mês no ano, o que representa a perda de 300 mil unidades, aproximadamente. Esse resultado, dificilmen te, se recupera”, argumenta Meneghetti.

Para o setor de caminhões, que vinha apresentando projeções positivas, a queda registrada, de 12,20% no acumulado do ano, foi reflexo tanto da demora na oficialização do PSI pelo BNDES como em função da desaceleração da economia, que compromete o frete. “Perdemos quase dois meses de vendas em função da liberação do PSI ter ocorrido apenas no final de janeiro, e quando o período de safra demandava mais aquisições de caminhões. Atrelado a isso, o fraco desempenho da economia fez com que faltasse carga a ser transportada, ou seja, havia caminhão, havia financiamento disponível, havia comprador potencial, mas não havia frete e, sem frete, a compra não se realiza”, analisa Alarico Assumpção Júnior, presidente executivo da Fenabrave e especialista no setor.

Para motocicletas, a queda acumulada, de 4,08%, tem a retração de crédito como maior vilã. “Graças ao Sistema de Consórcios, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do País, essa queda não foi maior”, declara Assumpção Júnior.

Novas Projeções para 2014

Durante a coletiva de imprensa, a Fenabrave anunciou novas projeções para o ano de 2014. Segundo a entidade, os emplacamentos de veículos devem crescer no segundo semestre e, no caso de automóveis e comerciais leves, a média mensal pode superar 5% de aumento no período.

“Com o fim do ‘efeito Copa’ e a possível renovação de frota de grandes frotistas, lançamento de novos modelos, esperamos crescer no segundo semestre, principalmente, nos meses de novembro e dezembro, quando teremos, certamente, antecipação de compras em função da retomada do IPI integral a partir de janeiro de 2015. Mesmo crescendo nos últimos seis meses do ano, o resultado global de 2014 será negativo, pois o segundo semestre do ano passado foi bastante forte e a comparação fica difícil”, analisa o presidente da Fenabrave.

Para ele, a prorrogação do IPI reduzido até dezembro deste ano, “foi importante para que o setor não sofra mais retrações expressivas”, concluiu.

Segundo a Fenabrave, o setor deve encerrar este ano com decréscimo de 6,48% para todos os setores somados.

Os segmentos de automóveis e comerciais leves devem apresentar queda de 7,75%, com 3.298.633 unidades comercializadas.

Já o setor de caminhões deverá contabilizar 132.332 unidades até o fim de 2014. Este resultado representará um decréscimo de 15% na comparação com 2013. O mercado de ônibus deve encerrar 2014 com baixa de 10%, totalizando 32.065 unidades emplacadas.

O segmento de motocicletas ainda deve sofrer os impactos causados pela falta de crédito para modelos de baixa cilindrada, mesmo com a contribuição que o Sistema de Consórcio tem tido nas vendas desses veículos. Segundo a Fenabrave, o segmento deve encerrar 2014 com queda 2,50% e 1.477.812 unidades emplacadas.

Desempenho de todos os Setores:

Automóveis e Comerciais Leves: As vendas de automóveis e comerciais leves retraíram 9,81% em junho. Foram emplacadas 250.655 unidades no mês passado, contra 277.907 em maio.
Na comparação com junho/2013 (302.866 unidades), os segmentos registraram queda de 17,24%. Já no acumulado de janeiro a julho, houve baixa de 7,33% sobre os resultados de 2013.

Caminhões e Ônibus: Os emplacamentos de caminhões apresentaram queda de 17,06% na comparação com maio. Foram licenciadas 10.702 unidades em junho, contra 12.904 caminhões no mês anterior. Na comparação com junho de 2013, quando foram negociadas 13.084 unidades, o segmento apresentou baixa de 18,21%. No acumulado do ano, as vendas foram negativas em 12,20% contra igual período de 2013.

O segmento de ônibus retraiu 12,45% no mês de junho. Foram emplacadas 2.236 unidades, contra 2.554 em maio. Na comparação com o mesmo mês de 2013 (2.632 unidades), o segmento retraiu 15,05%. No acumulado, as vendas do segmento registraram queda de 10,90% sobre 2013.

Os setores de caminhões e ônibus, juntos, apresentaram baixa de 16,30% no comparativo entre maio e junho, e de 17,68% na comparação com junho de 2013. No acumulado, a queda a foi de 11,96% para os dois setores somados.

O segmento de motocicletas registrou retração de 18,03% em junho, no comparativo com maio. Foram emplacadas 103.869 unidades no mês passado e 126.713 em maio. Em relação ao mesmo período de 2013, o setor apresentou baixa de 16,91% e, no acumulado, a queda chegou a 4,08%.

Implementos Rodoviários: Foram vendidas 4.538 unidades em junho, contra 5.140 em maio. Com isso, a queda foi de 11,71% entre os dois meses. Em relação a junho do ano passado, o segmento apresentou baixa de 18,01% e, no acumulado do ano, houve queda de 9,53% sobre 2013.

Outros – Outros veículos, como carretinhas para transporte, retraíram 12,56% ao comparar os meses de maio e junho. Se comparado a junho de 2013, a queda foi de 2,50%. No acumulado do ano, houve alta de 5,87%.

Tratores e Máquinas Agrícolas – Estes segmentos retraír am 7,62% no mês passado. Foram vendidas 5.398 unidades, contra 5.843 em maio. Na comparação com o mesmo período de 2013 (6.822 unidades), os segmentos registraram queda de 20,87%. No acumulado do ano, houve retração de 19,87% para estes segmentos.

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