Fecomercio de SP acredita que não há motivo para o mercado ficar alarmado com o aumento da inadimplência

O recorde de inadimplência nos financiamentos de veículos não preocupa a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e, na opinião da entidade, tampouco deveria ser motivo de alarme para o mercado. A FecomercioSP acredita que antes de passar a exigir mais garantias, ou seja, subir os custos dos empréstimos, as instituições financeiras deveriam olhar para dentro, uma vez que as elevadas taxas de juros e, principalmente, o excessivo spread bancário são causas do aumento da inadimplência.

A Assessoria Técnica da FecomercioSP explica que a taxa de juros cobrada pelos bancos para esta modalidade de financiamento é de 26,6% ao ano (a.a.), sendo que dentro desta taxa está embutido um spread – a diferença entre o custo de captação dos recursos pela instituição financeira e o que ela cobra do cliente – de 17,1% a.a., o que é mais do que suficiente para suportar tal inadimplência. Considerando que os financiamentos de automóveis têm saldo de R$ 178 bilhões, somente de spread, as instituições financeiras recebem cerca de R$ 30 bilhões, ou três vezes o valor devido pelos inadimplentes, R$ 10,5 bilhões (5,9% do total movimentado pelo setor).

Assim, as taxas de juros praticadas atualmente constituem, na realidade, um fator indutor da inadimplência ao manterem uma taxa de risco muito superior à realidade. A FecomercioSP lembra, ainda, que apesar do sistema financeiro manter um spread médio capaz de suportar uma inadimplência de 11%, o recorde histórico é de apenas 8,54%. Número alcançado em 2009, no pior momento da crise internacional.

A FecomercioSP reafirma que as taxas de juros praticadas hoje são abusivas e injustificáveis, principalmente frente aos bons indicadores de emprego e renda. Essas taxas ao serem mantidas estão restringindo a disseminação de crédito que alavancaria o consumo e, consequentemente, o nível da atividade interna.

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