A condenação de Lula é a redenção do Brasil?

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Por Rodrigo Valverde, sócio do Schroeder&Valverde

Com a recente condenação do ex-presidente Lula, discussões foram travadas, algumas sob ponto de vista ideológico, outras sob o olhar socioeconômico, mas, afinal, o que esta decisão traz como mensagem principal?

Poderíamos apenas replicar partes da sentença do juiz, em especial aquela que diz que “ninguém está acima da lei”. Mas o objetivo deste artigo não é entrar nos pormenores jurídicos da decisão, nem nos efeitos políticos da sentença condenatória. Queremos abordar o que entendemos que esta decisão pode trazer de mensagem para o Brasil e para aqueles que acreditam e investem no País.

O boom econômico vivido na época do governo Lula e parte do governo Dilma conseguiu abafar medidas de cunho ideológico-partidário que afetaram o País e que, agora mais do que nunca, obriga toda a população a pagar uma dívida nunca vista antes na história do Brasil. Só para dar um exemplo, as várias decisões da ex-presidente Dilma no setor elétrico trouxeram uma instabilidade sem precedentes e, como é sabido hoje, uma conta bilionária de, ao menos, R$ 62,2 bilhões – valor que deverá ser paga pelos consumidores em suas faturas nas contas de luz até 2025.

Quando não temos mais um cenário em que um cartel de construtoras domina todas as obras públicas, temos empresas estrangeiras dispostas e aptas para operar as obras de infraestrutura. Quando ideologias e benesses aos amigos do rei estão sendo objeto de ações penais, condenações e prisões, aliado a um movimento de discussão e aprovação de reformas – trabalhistas e previdenciárias, por exemplo -, os investimentos poderão ser destravados.

Em janeiro, US$ 11,5 bilhões ingressaram no País direcionados para o setor produtivo, um recorde para o mês. Comparado com janeiro do ano passado, o volume de investimentos estrangeiros mais que dobrou, cresceu 111,3%. Estes indicadores motivam o País a trabalhar em agendas que permitam o aumento do Índice de Confiança do Investimento Externo Direto e a reconquistar o grau de investimento, adquirido em 2008 e perdido em 2015. Se tudo isso acontecer, o mercado de ações no Brasil pode voltar a crescer.

Em 2016, tivemos dez operações no mercado de ações que movimentaram R$ 10,6 bilhões, mas somente delas foi um IPO de fato – a abertura do capital da Alliar, da área de saúde. Vale lembrar que este IPO foi o primeiro em 15 meses.

Para 2017, estimativas apontam para um número entre 15 a 40 ofertas, as quais dependem muito do capital dos investidores estrangeiros – a oferta da Azul, por exemplo, 80% das ações foram compradas por estrangeiros.Também por isso, a agenda de reformas e uma nova postura do Brasil para com empresas, empresários e gestão da economia precisa ser diferente – e melhor.

O Brasil continua sendo um mar de oportunidades a serem exploradas. Há muito espaço para investimentos nos mais diversos setores, como infraestrutura, saúde e educação. Acho que falta pouco para virarmos por completo uma história de uma economia de compadres para uma economia competitiva e de livre mercado. Quando tudo isso acontece, o nível de emissão de títulos, públicos e privados, aumentará de forma significativa e apenas um dos indicadores do retrato do País que merecemos. Neste dia, lembraremos da sentença do juiz Sérgio Moro como um marco da redenção do Brasil.

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