A guerra por talentos no mercado de tecnologia – Por Cassiano Monteiro

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Durante o último ano, tive a oportunidade de estar dos dois lados de uma entrevista de emprego: como candidato e como recrutador. Com esta experiência, tive duas impressões: recrutadores estão desesperados por profissionais qualificados e alguns candidatos estão guiando suas carreiras, única e exclusivamente, pelo quesito remuneração. Estas impressões partem do meu ponto de vista pessoal, com base em diversos contatos que tive com recrutadores e em entrevistas que conduzi, buscando candidatos para as vagas disponíveis no Guichê Virtual, startup líder na venda de passagens de ônibus online. Isso me levou a refletir mais a fundo sobre esse assunto.

Recrutadores estão desesperados por profissionais qualificados

Apesar de estarmos enfrentando uma situação econômica um tanto desfavorável no país, o mercado de tecnologia está crescendo. Ainda assim, a quantidade de profissionais qualificados não vem acompanhando esta curva acentuada. Neste cenário temos, de um lado, empresas sempre buscando contratar profissionais experientes e, do outro, uma oferta escassa de talentos, majoritariamente formada por profissionais recém-formados e/ou pouco experientes.

Esse problema acontece por uma combinação de fatores. Inicialmente, é possível observar que, apesar da criação de colégios voltados para a qualificação técnica, o interesse pela área ainda é relativamente baixo e não atende a toda a demanda do mercado. Em seguida, a velocidade absurda no avanço das tecnologias faz com que pouquíssimos profissionais tenham mais do que dois ou três anos de experiência especificamente nessas ferramentas inovadoras.

Enquanto isso, há uma explosão de startups e outras empresas de tecnologia no mercado emergente brasileiro. Empreendedores estão visualizando diversas oportunidades de negócio baseadas em inovação tecnológica e estão famintos para aproveitá-las o mais rápido possível. Por isso, precisam com urgência de profissionais extremamente qualificados e que possam rapidamente desenvolver os produtos e serviços para atingir o mercado em tempo hábil.

Dentro desse cenário, o recrutamento de profissionais de tecnologia está cada vez mais complexo e demorado, e a falta de profissionais qualificados para as vagas específicas faz com que empresas e recrutadores diminuam cada vez mais os requisitos necessários para a contratação. Além disso, é comum que cargos mais altos sejam oferecidos a profissionais menos experientes como forma de atração e retenção de pessoas que tenham ao menos alguma qualificação na área.

Enquanto isso, os talentos do mercado de tecnologia…

Para os profissionais mais qualificados e experientes é um excelente cenário para buscar novos desafios e melhores condições de trabalho. Já para os recém-formados, um começo de carreira acelerado e bastante promissor. E, por fim, para os menos qualificados, uma oportunidade de galgar posições interessantes.

Porém, essa escassez de talentos no mercado de tecnologia traz alguns comportamentos que acabam prejudicando eles mesmos. Além do fato de muitos candidatos enviarem currículos desconexos com a vaga pretendida, é muito comum encontrar exageros que, após uma conversa de 15 minutos por telefone, claramente não condizem com a realidade. Tenho notado também uma falta de vontade de muitos candidatos em participar de um processo seletivo mais criterioso. É como se eles quisessem que o recrutador adivinhasse quem são os melhores profissionais do mundo simplesmente com um aperto de mão. Mas é após o processo seletivo, no momento da proposta de trabalho, que vem a real guerra do mercado, a salarial (e consequente rotatividade altíssima no setor).

Apesar de estudos apontarem que a geração Y valoriza mais outros fatores do que simplesmente salário, na prática a remuneração ainda conta bastante. E sim, é completamente compreensível que este seja um dos principais fatores para nortear uma decisão profissional, mas não o único. Atualmente, alguns profissionais travam verdadeiros leilões salariais.

Na minha visão, esse fenômeno prejudica profissionais e empresas. Apesar da oportunidade de melhores salários, isso afeta negativamente a evolução do profissional no mercado de trabalho, afinal muitos não se fixam durante um período relativamente longo em uma empresa. Isso dificulta na formação de um embasamento sólido de experiência de trabalho, além de estabelecer uma marca de “infidelidade” profissional. Já para as empresas, altos salários e rotatividade aumentam os custos operacionais diretos e indiretos, fazendo com que esses gastos sejam repassados em seus produtos e serviços, ou até mesmo dificultando a sobrevivência de negócios emergentes.

Cassiano Monteiro, líder do time mobile do Guichê Virtual

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