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Vários sinais apontam recuperação da economia, diz análise do Ipea

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A seção de Atividade Econômica da Carta de Conjuntura do Ipea divulgada nesta terça-feira, 21, faz uma avaliação dos primeiros números de 2017, além de analisar a evolução das taxas de crescimento do PIB, da produção por setor (agropecuária, indústria, serviços), dos componentes da demanda, consumo, formação bruta de capital fixo (FBCF) e produção industrial. Para o Grupo de Conjuntura do Instituto, a economia brasileira apresenta sinais iniciais de retomada. Há indícios de melhora, por exemplo, no Indicador Ipea de Produção Industrial, que prevê avanço de 0,3% no resultado da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE, referente a fevereiro, na comparação com janeiro.

Os níveis de confiança também subiram. Um terceiro fator positivo é a desaceleração da inflação, permitindo a flexibilização da política monetária. A queda dos juros, por sua vez, contribui para o barateamento do custo do capital e possibilita que as famílias renegociem as dívidas passadas, abrindo alguma folga em seus orçamentos, inclusive para aumentar o consumo. A liberação dos recursos das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) também injeta mais recursos na economia. Como o parque industrial já se encontra com os níveis de estoques próximos aos planejados, qualquer melhora no comércio varejista afetará o desempenho da produção.

Outro elemento que pode influenciar positivamente a atividade econômica ao longo de 2017 está associado ao setor externo, pois há boas perspectivas para que permaneça a evolução positiva do volume exportado no ano passado, especialmente com relação às commodities. Além disso, as projeções para as safras na lavoura indicam crescimento relevante em 2017, o que melhora as projeções para o agronegócio.

Alguns fatores, entretanto, podem contribuir para atrasar o processo de recuperação. Em primeiro lugar, a trajetória da atividade econômica depende de reformas estruturais. Ainda há números negativos, como o Indicador Ipea de FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), que recuou 3% em janeiro. Além disso, o atual quadro de obstrução do canal do crédito tende a retardar os efeitos positivos provenientes da queda nas taxas de juros.

Apesar dos indícios favoráveis, a recuperação da atividade econômica tende a ser lenta, e o legado da recessão ainda se faz presente, podendo ser medido nos últimos resultados do PIB. O recuo de 0,9% na passagem entre o terceiro e o quarto trimestre de 2016, na série livre de efeitos sazonais, foi o oitavo consecutivo. Contra o mesmo trimestre de 2015, o PIB caiu 2,5%, encerrando o ano com retração de 3,6%. Nos últimos dois anos, a perda chegou a 7,2%.

Acesse a seção de Atividade Econômica da Carta de Conjuntura do Ipea no Blog de Conjuntura www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura

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