Como a indústria financeira tradicional pode encontrar uma oportunidade de desenvolvimento nas fintechs?

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Por Marco Aurélio Rodrigues

Nos últimos dez anos, cerca de 20 startups foram abertas por dia em todo o mundo. Atualmente, são mais de 70 mil, muitas delas nas indústrias financeira e de varejo. Isto se deve às profundas transformações pelas quais passa o mundo hoje. A tecnologia permitiu que diversas atividades humanas mudassem: a comunicação, o modo de fazer compras, de ler livros e notícias, de ouvir música, de pedir comida, de pagar contas, dentre outros hábitos.

Lidar com toda esta transformação gerou crises em algumas indústrias, como a fonográfica, editorial, de varejo, de hospedagem, de transporte, e causa certo desconforto na financeira. Isto porque o cliente de hoje em dia é altamente conectado, ele tem novas necessidades que exigem uma nova forma de atendimento e entrega por parte das empresas.

Na indústria financeira do Brasil, as chamadas Fintechs avançam no mercado com seus produtos e serviços que simplificam a relação dos usuários com o dinheiro, seja na forma de um cartão de crédito ou um banco “full service” digital, sem cobranças ou com tarifas reduzidas, e com atendimento disponível no celular. Além disso, novas startups trazem serviços para controle de finanças pessoais, moedas virtuais, empréstimos, microempréstimos, pagamentos, crowdfunding e outros. De acordo com o relatório do FintechLab, o Brasil tem hoje 130 fintechs e metade delas já alcançou um faturamento acima de R$1 milhão.

Outro fenômeno tecnológico que tem chamado a atenção das instituições financeiras e até de governos é o Blockchain, a tecnologia por trás da moeda virtual bitcoin. Por meio desta plataforma, é possível montar um “livro caixa” virtual e distribuído, baseado em chaves criptográficas. Com esta virtualização de valores, desaparece a figura do intermediador, pois transações podem ser realizadas com segurança e confiança entre as partes.

Diante deste cenário, aparentemente ameaçador para os bancos, ao invés de lutar contra a corrente, é preciso que as instituições financeiras encarem este novo cenário como uma oportunidade de desenvolvimento. É importante conceber serviços financeiros que redefinam a interação entre clientes e bancos, e vão além dos serviços clássicos que são oferecidos atualmente, uma vez que aplicações digitais estão diminuindo os pontos de contato pessoais e novos players estão entrando no setor financeiro praticamente todos os dias, competindo pelos clientes bancários. Para tanto, existem algumas sugestões concretas, como:

– Criação de empresas independentes com o mesmo modus operandi das startups. É o caso do cartão Digio, uma associação de Bradesco e Banco do Brasil, para concorrer diretamente com a Nubank.
– Criação de ambientes internos de ideação, como nos casos do Bradesco e Santander, que possuem áreas internas para desenvolvimento de novos produtos.
– Criação de incubadora interna, solução do Itaú ao criar o Cubo, um ambiente para instalação de startups que poderão no futuro fornecer soluções para o banco.

Além destes casos, atualmente já existem iniciativas que ajudam os bancos a criar serviços remodelados que visam trabalhar a interação com clientes nos próximos 10 anos e além. Uma delas é um brainstorming online organizado numa plataforma de construção colaborativa que estabelece uma ligação virtual entre mais de 80 mil profissionais qualificados de espírito empreendedor e empresas que buscam soluções disruptivas.

Este tipo de movimentação do setor é desafiador, porém necessário e deve ser feito em conjunto com parceiros que ofereçam soluções focadas em alta conexão, segurança e facilidade – fatores que corroboram para a competitividade no mercado e criam um novo nível de relacionamento com o cliente.

Marco Aurélio Rodrigues, Diretor de Serviços Profissionais de Software da Diebold Nixdorf

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